Confronto entre sem-terra deixa um morto e 4 feridos

Um lavrador morto a tiros de espingarda equatro feridos à bala, um deles em estado grave, foi o saldo de confronto nesta quinta-feira à tarde entre assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Fazenda Palmeiras I, em Marabá, no sul do Pará. Uma mulher, acusada de desviar recursos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de vender seu lote, éapontada como autora dos disparos juntamente com um irmão.Maria das Graças Pereira da Luz, de 52 anos, foi presa em flagrante pelo delegado Raimundo Xavier, mas seu irmão, Raimundo Nonato Pereira, conseguiu fugir. Xavier abriu inquérito para apurar a morte do assentado José do Carmo Silva, o Dodó, de 34 anos. Ele recebeu vários tiros no peito.Saíram também baleados da emboscada Valindo Lopes Furtado, conhecido como Jorge, de 46 anos, que está gravemente ferido, com várias perfurações de bala e internado num hospital de Marabá; a mulher dele, Maria de Fátima do Carmo Silva, a Neguinha, baleada nas nádegas; o adolescente Jânio Santos da Silva, 14 anos, atingido com um tiro na alturados rins; e ainda o menino Alan Caique Gomes Dourado, de apenas 9 anos, baleado deraspão na coxa direita.O delegado disse que o motivo da morte e dos ferimentos dos assentados é a luta pelocontrole da associação entre grupos rivais. Testemunhas ouvidas nesta sexta-feira pela polícia disseram que Maria das Graças foi quem armou a emboscada contra o grupo de lavradores.O casal já tinha sido avisado pelos assentados de que deveria deixar a área por ter perdido o lote, mas reagiu de forma inesperada. O ferido José Ferreira da Silva, o Zezito, disse que a acusada estava entrincheirada na sede da associação dos assentados, para onde o grupo se dirigiu. "De repente, ela e o irmão começaram a disparar tiros de espingarda cartucheira da janela da associação", afirmou o sobrevivente.Ele relatou ao delegado que, seis anos atrás, logo depois da ocupação da fazenda, Maria das Graças foi eleita presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Gleba Santa Rita, nome dado à área invadida na fazenda Palmeiras I. A mulher decaiu da confiança dos lavradores depois que, segundo José Ferreira, passou a desviar os recursos destinados pelo Incra aos assentados, além de vender seu lote de terra, o que é proibido pela lei da reforma agrária.Isso acabou provocando o descontentamento entre os associados. A partir daí, começaram as dissidências. José Ferreira criou a Associação dosPequenos e Médios Produtores Rurais do Complexo Palmeiras-Santa Rita I e II, da qualé o presidente. "Nós queríamos uma reunião pacífica com a Maria das Graças, tanto quefomos desarmados, levando sacolas de comida. A idéia era passar o dia na associaçãonegociando com ela sua saída do assentamento, mas fomos recebidos à bala".A acusada nega ter atirado no grupo. "Tentaram invadir a minha casa e eu me escondidebaixo da cama", contou Maria das Graças à polícia. "É mentira. Foi ela quem atirou nagente", rebate Jânio da Silva, afilhado da mulher.

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