Confronto entre grupos rivais de sem-terra deixa um ferido

Duas pessoas ficaram feridas na manhã desta terça-feira, 6, quando integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) decidiram invadir a Fazenda Videira, em Guairaçá, a cerca de 500 quilômetros de Curitiba, no noroeste do Paraná. O delegado de Terra Rica, Alessandro Roberto Luz, instaurou inquérito para apurar o que ocorreu na fazenda, que fica às margens de PR-180, mas até esta tarde ainda não tinha muitas informações. "Depois que acalmar os ânimos, as coisas vão se clareando", acentuou.De acordo com o Incra, a fazenda teve decreto de desapropriação publicado em dezembro, mas o proprietário entrou com recurso, que ainda não foi apreciado pela Justiça. Por isso, cerca de 40 famílias do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) acabaram deixando a propriedade, que tinham invadido, também aguardando a decisão. Eles ficaram acampados em frente à porteira.No entanto, por volta das 5h40 desta manhã, segundo a Polícia Militar de Guairaçá, um grupo do MST - estima-se entre 300 e 400 pessoas - apareceu no local disposto a invadir a fazenda. Integrantes do Mast relataram que os rivais estavam encapuzados e armados com espingardas, revólveres e pistolas. Houve confronto entre os dois grupos e um dos líderes do Mast, conhecido apenas como Louro, foi baleado na mão. Clima tensoSegundo relatos feitos à PM, quando entraram na fazenda, os integrantes do MST depararam com quatro seguranças, que não estariam armados. Três deles correram para o mato e o outro foi em direção à sede da fazenda para avisar o administrador e as crianças que estavam na casa para saírem. Quando retornava, o segurança Silvio César Ribeiro do Nascimento disse ter recebido socos e pontapés. Ele passou no hospital para fazer um laudo. Nascimento também reclamou que o dinheiro que tinha na carteira desapareceu.O clima no local ainda estava tenso, porque os integrantes do Mast mantiveram-se em frente à porteira. Pela manhã, eles fizeram um protesto fechando por duas horas a rodovia. Nesta tarde, a informação era de que os invasores colocaram fogo em um canavial da fazenda. Policiais militares fazem a ronda para evitar novos confrontos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.