Confronto em Serra Pelada deixa 20 feridos

Garimpeiros ligados a ex-dirigente assassinado há dez dias invadiram sede da cooperativa de mineração

Carlos Mendes, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 00h00

A briga entre grupos rivais pelo controle da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) que resultou dez dias atrás no assassinato do presidente afastado da entidade, Josimar Barbosa, teve no domingo mais um capítulo de violência. Um grupo ligado a Barbosa, reforçado por líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST), invadiu a sede da entidade e entrou em confronto com partidários do atual presidente, Valdemar Pereira Falcão.Na briga, 20 garimpeiros saíram feridos e também presos, juntamente com outros 20 acusados de agressões e roubo. A sede da Coomigasp foi desocupada e está sob vigilância da Polícia Militar. Cinco líderes do confronto, três deles do MST, foram presos e transferidos no próprio domingo para Belém.A Polícia Militar reforçou ontem com 100 homens a segurança em Serra Pelada, um povoado de 18 mil habitantes. O posto da PM no local quase foi invadido durante o confronto. De acordo com a polícia, Falcão foi espancado e expulso da sede da cooperativa. A ação partiu do grupo rival que integra o MTM, o mesmo que ocupa as margens da Ferrovia de Carajás e a interditou na semana passada. Em nota, o governo do Pará diz que vinha acompanhando de perto as negociações entre as lideranças garimpeiras e que decidiu agir diante do "quadro de tensão e violência" criado na região para "coibir qualquer ato que, a pretexto de pressões políticas, venha resultar em desestabilização de ordem social e desrespeito à lei".O delegado da Divisão de Investigações e Operações Especiais, Eduardo Rollo, informou que os acusados serão autuados por formação de quadrilha e roubo.ASSASSINATOJosimar Barbosa, de 51 anos, foi assassinado no último dia 7, com 13 tiros, em Marabá. Ele tinha sido afastado no ano passado da direção da cooperativa, mas havia obtido liminar da Justiça para voltar ao cargo, o que deveria ocorrer no dia do assassinato. Barbosa estava jurado de morte por grupos rivais que disputam o controle da entidade. Em junho de 2004, a vítima teve papel de destaque na assinatura do contrato entre a Coomigasp e a empresa norte-americana de lapidação de pedras preciosas Phoenix Gems.Barbosa sempre dizia que só os 10 mil associados da cooperativa teriam direito aos royalties da extração de ouro em Serra Pelada. Outros 40 mil garimpeiros, representados pelo Sindicato dos Garimpeiros de Serra Pelada e por duas cooperativas da região, também reclamam ter direito sobre a exploração. Partidários de Barbosa, depois de sua morte, prometeram vingança.

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