Confronto durante desocupação deixa nove índios feridos

Pelo menos nove índios ficaram feridos hoje em confronto com policiais federais no município de Aracruz, no norte do Espírito Santo. A Superintendência Regional da PF informou que 120 homens - incluindo um destacamento do Comando de Operações Táticas, de Brasília - promoveram a desocupação de duas áreas em cumprimento a mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça Federal do Estado em favor da Aracruz Celulose.De acordo com a PF, os policiais "foram forçados a desferir tiros de borracha e bombas de efeito moral, como último recurso de defesa pessoal". Para o coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), José Coelho Silva, "houve truculência na ação policial". Segundo ele, os índios foram pegos de surpresa. "Os policiais já chegaram atirando com balas de borracha e atearam fogo nas aldeias", afirmou. Um helicóptero da PF equipado com metralhadora fez vôos rasantes sobre as aldeias.Segundo a PF, a desocupação transcorreu de forma pacífica e sem incidente na Aldeia Ouro, mas uma segunda equipe de policiais "foi surpreendida pela vinda de aproximadamente 200 índios provenientes de aldeias próximas" na Aldeia Olho D´água. "Esses outros indígenas já chegaram armados de tacapes, flechas e pedras, que foram lançados contra os agentes e delegados, além de danificarem oito viaturas oficiais", afirmou a PF, por meio de nota. Ainda segundo a PF, nenhum índio foi detido, mas dois responderão a Termo Circunstanciado pelos Crimes de Dano e de Resistência. O coordenador regional do CIMI afirmou que o tupiniquim Paulo Henrique está preso. "Esse tipo de operação vai de encontro com a recente declaração do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) de que temos muita terra para pouco índio", declarou Silva. "A Funai hoje, vergonhosamente, tem uma política contra os direitos indígenas, favorável aos fazendeiros e às multinacionais."A PF argumenta que toda a ação policial e o "ataque dos índios" foram acompanhados por um oficial de Justiça e representantes da Funai. A reportagem não localizou o responsável pela administração regional da Funai. Equipes de saúde teriam sido impedidas de entrar na área para atender os feridos.

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