Conflito entre MP e Legislativo em RO

A invasão de oficiais de Justiça e dois promotores ao setor financeiro da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, na tarde de ontem, criou um clima de tensão, com acusações mútuas, entre os representantes dos poderes Legilativo e Judiciário locais. Munidos de mandado judicial, os representantes do Ministério Público estavam em busca de possíveis provas de apadrinhamento político na contratação de servidores comissionados. Para os deputados, porém, a ação é uma evidene represália do presidente do Tribunal de Contas de Rondônia, Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado, sócio da empresa Ribas, Machado & Leal Ltda., alvo de investigações da chamada "CPI da Indenização".Além do presidente do Tribunal de Contas, são sócios dessa empresa o juiz nomeado do TRE local, Ney Leal, e o empresário da cidade de Arquimedes, Ruy Luis Ribas Tavares. A suspeita é de que a Ribas, Machado & Leal Ltda. esteja devendo os impostos dos últimos anos, e não tenha tampouco honrado o compromisso firmado com o Governo de pagar uma dívida anterior, de R$ 4,6 milhões. Há uma liminar na Vara da Fazenda Pública exigindo a imediata suspensão dos pagamentos do Governo à empresa e a indisponibilidade dos três, cuja quebra de sigilo bancário está sendo pedida pelos cinco membros da CPI.Para os deputados, ação do MP - em busca de computadores e dados sobre contratação de servidores - parece ter sido orquestrada pelo principal implicado no caso, Amadeu Machado, que teria aproveitado a ausência do presidente da Assembléia, Natanael Silva (PPB-Porto Velho) que está viajando.Pouco antes das 21h30, houve um princípio de incêndio no prédio e o Corpo de Bombeiros foi acionado. Deputados e funcionários afirmam que o fogo teria sido ateado pelos "invasores" com o intuito de incriminá-los. Estes, por sua vez rebatem a acusação, dizendo que são os membros da casa que têm interesse na queima de documentos.Mais de sete horas depois do início da ação, apesar dos representantes do MP terem se retirado do Departamento Financeiro da Assembléia Legislativa rondoniense, seis deputados iniciaram uma vigília em protesto à invasão.Um dos momentos mais tensos do conflito foi quando, diante da animosidades entre os presentes, o delegado Renato Souza, titular do Denarc da capital rondonense, sacou de um revólver para intimidar autoridades, servidores e jornalistas. Um profissional de imprensa chegou a ser ameaçado, caso noticiasse esse fato: "Você veja esse revólver como está para trás. Se eu colocar para frente a situação fica difícil para você", teria afirmado o policial. As informações são do site RondôniaAgora.com.

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