Conflito com polícia deixa 4 feridos na Usina de Barra Grande

Um conflito entre a polícia e manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) deixou pelo menos quatro feridos na tarde desta terça-feira em frente ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Barra Grande, entre Anita Garibaldi (SC) e Pinhal da Serra (RS).De acordo com o MAB, os manifestantes pretendiam entrar no canteiro para ter acesso a representantes da Energética Barra Grande S/A (Baesa), responsável pela usina, quando começou o confronto. O diretor-adjunto da Baesa, Maurício Kuinaud, disse que a ação da polícia se deve a uma ordem de interdito proibitório concedida pela Justiça Federal, que impede o acesso à obra."Pedimos apoio da polícia de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul (respectivamente, Polícia Militar e Brigada Militar )", observou. "O MAB tentou forçar o portão, e a polícia reagiu", descreveu Kuinaud. O coordenador do MAB Luiz Dalla Costa argumentou que a usina será concluída em cerca de um ano e ainda não foram definidas as indenizações para as quase mil famílias afetadas pelo empreendimento.O diretor-adjunto da Baesa afirmou que foram cadastradas 870 famílias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao licitar a obra. A empresa terminou a fase de pesquisa de preço das propriedades na região e agora fará a avaliação individual das terras. A Baesa oferece cinco alternativas para realocar as famílias atingidas pela usina, incluindo indenização em dinheiro.A usina começou a ser construída em julho de 2001 no rio Pelotas, divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Kuinaud disse que a obra está seguindo seu cronograma, que prevê o desvio do rio em outubro de 2002, o início da formação do lago em novembro de 2004 e a operação da primeira de suas três máquinas em maio de 2005.A hidrelétrica terá 690 MW de capacidade instalada. A Baesa é formada pela VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), Departamento Municipal de Energia de Poços de Caldas (MG), Alcoa Alumínio e Camargo Corrêa. O investimento em Barra Grande está orçado em R$ 800 milhões.O MAB pre tende manter um acampamento próximo ao canteiro de obras no mínimo até quinta-feira, considerado o dia internacional de protesto contra a construção de barragens.

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