Confissão de assaltante não convence parentes de Toninho

Aliados políticos, parentes e amigos do prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, receberam com um misto de alívio e dúvida a notícia da confissão de Flávio Roberto Mendes Clara, acusado de ter disparado o tiro que matou o prefeito na noite de 10 de setembro passado. Mendes Clara, de 19 anos, confessou que atirou em Toninho ao tentar roubar o Palio do prefeito.O assaltante disse ter se assustado depois que o Toninho acelerou o carro na tentativa de fugir do roubo. Garantiu que não sabia tratar-se do prefeito e afirmou que somente soube da morte no dia seguinte, pela imprensa. Mendes Clara declarou que cometeu o assalto junto com o menor A.S.C., de 17 anos, e Anderson Rogério Davi, de 20 anos. Um quarto envolvido está sendo procurado pela polícia. Eles ocupavam duas motos roubadas. Dúvida - O deputado federal José Genoíno, do mesmo partido de Toninho, saudou a polícia campineira por "encontrar o assassino", mas disse que ainda tem dúvidas quanto ao motivo do crime. "Quero saber se não houve mandante", resumiu. A mesma dúvida também é compartilhada pelos parentes, correligionários e assessores da prefeitura, representados na investigação pelo advogado criminalista Ralph Tórtima Stettinger.Hoje de manhã, o advogado se reuniu com a família, membros do partido e assessores para avaliar o resultado do inquérito. Segundo ele, a confissão de Mendes Clara foi recebida com reserva. "Entendemos que a investigação ainda não está concluída. A polícia está fechando a autoria, mas vamos questionar os motivos", alegou o criminalista. Amigo de Toninho, o deputado federal Luciano Zica (PT) também não descartou a teoria de assalto. "Esclarecer a razão é mais complicado", juntou-se ao coro. Zica lembrou que o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que também acompanhou as investigações, continua insistindo em crime encomendado. "Enquanto não provarem que ele está errado, não vamos sossegar", justificou. Defesa - Os parentes de Flávio Roberto Mendes Clara insistiram hoje que ele confessou sob coação. A mãe do assaltante, Aparecida Mendes, disse que ele é inocente e que estava com a família na noite do crime. O depoimento de todos envolvidos foram acompanhados por promotores do Ministério Público Estadual, advogados e delegados.

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