Alexandre Severo/Divulgação
Alexandre Severo/Divulgação

Confirmado candidato, Campos promete tirar economia do 'atoleiro'

Ao lado da vice Marina Silva, ex-governador ataca governos que se 'deixaram dominar pelas elites' e diz que vai derrubar inflação

Circe Bonatelli, Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2014 | 13h01

BRASÍLIA - O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos foi confirmado neste sábado, 28, o candidato do PSB à Presidência da República, durante convenção do partido. Em seu discurso, ele defendeu a renovação política no País e a recuperação da economia, que, segundo ele, está um "atoleiro". Campos prometeu ainda preservar as conquistas obtidas nos últimos anos. "As conquistas do passado serão garantidas no nosso governo", disse.

"Só um Brasil unido poderá enfrentar o atoleiro em que se meteu a nossa economia. Juros lá no alto, inflação alta, indústria em queda, contas públicas fragilizadas. É um País que não merecemos depois de tanto esforço do povo brasileiro", afirmou Campos, ao lado da ex-ministra Marina Silva, sua candidata a vice, também aclamada durante a convenção.

Campos se comprometeu com uma retomada do crescimento sustentável da economia brasileira e ainda pediu para ser cobrado por isso em seu governo, caso seja eleito. "Vamos botar a inflação para baixo e o crescimento pra cima", disse.

O ex-governador de Pernambuco prometeu também uma reforma tributária em seu primeiro ano de governo e assumiu o compromisso de não elevar impostos. "Serei o primeiro presidente da Republica que não vai aumentar os tributos nesse país e que vai colocar a carga tributária numa descendente."

O PSB tenta consolidar a chapa de Campos e Marina como uma terceira via e assim evitar a polarização entre PT e PSDB nestas eleições. Ao defender a necessidade de renovar a política brasileira, o ex-governador atacou a gestão dos governos anteriores. "Os que estão no poder no País ao longo dos últimos 20 anos tentam convencer o povo de que vão fazer diferente. Mas eles perderam e energia renovadora, perderam o encanto e se deixaram dominar pelas elites. Querem convencer o Brasil de que usando os mesmos métodos vão chegar a caminhos diferentes", afirmou Campos, referindo-se à alternância do PSDB e do PT no Palácio do Planalto desde 1994.

O ex-governador ressaltou que, se eleito, vai manter programas e iniciativas consideradas bem-sucedidas, como o Bolsa-Família, o ProUni e a estabilidade econômica da moeda brasileira. "Não são conquistas de um partido, mas sim da luta do povo, que é de onde viemos", frisou.

Campos disse ainda que entende que o povo quer um governo que não fique repetindo o que fez no passado, mas sim que diga com clareza o que fará para resolver os problemas não resolvidos no passado. "Vamos fazer um governo com o povo e a sociedade, não com os poderosos. Vamos buscar a energia e a força para lutar contra o fisiologismo e o patrimonialismo".

Primeira a discursar, Marina Silva exaltou a aliança com o ex-governador. A ex-ministra se aliou ao projeto político do pernambucano no ano passado, quando teve negada a autorização para a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade. "Tentaram nos eliminar prematuramente, mas nos deram a oportunidade de nos juntarmos", afirmou. "O que estamos fazendo é inédito no Brasil. É uma aliança baseada em programa. Não é uma união com uma pessoa, mas com um movimento social", complementou.

A exemplo de Campos, defendeu ser necessário manter conquistas alcançadas nos governos passados, mas destacou a importância da sustentabilidade. "Temos que sair do modelo predatório para o modelo sustentável de desenvolvimento, que seja sustentável em todos as dimensões", disse citando os campos social, econômico e ambiental. "Um País que é potência agrícola precisa aumentar a produção por ganhos de produtividade, com investimentos em tecnologia e ciência", afirmou.

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