Confirmado 1º caso de dengue tipo 3

A confirmação do primeiro caso brasileiro de infecção pelo vírus tipo 3 da dengue levou a secretaria estadual de saúde a intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti, especialmente no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde mora a vítima. De acordo com médicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que isolaram o vírus ontem, o novo tipo pode se manifestar de maneira mais agressiva em quem já foi infectado pelos tipos 1 ou 2. Os médicos alertam que há risco de uma epidemia.Hoje agentes de saúde coletaram larvas do mosquito na casa de Elisabeth Cabral, de 40 anos, no bairro Califórnia, infectada pelo tipo 3 em dezembro, para saber se ela pegou a doença no local ou em outra cidade. O secretário de saúde daquele município, Gilberto Badaró, disse que o carro fumacê, que dissemina no ar inseticida contra o vetor, passará com freqüência no bairro. Elizabeth, que é agente de saúde e trabalha em campanhas de combate ao mosquito, garantiu que não saiu de Nova Iguaçu desde que se infectou, em dezembro, e nem recebeu visitantes de outras cidades - o que, segundo o secretário estadual de saúde, Gilson Cantarino, significa que o vírus tipo 3 não saiu daquele município. Foi em Nova Iguaçu que começou a epidemias de dengue tipo 1 e 2, em 1986 e 1990, respectivamente. O vírus tipo 3 causou epidemia de dengue na América Central. A médica Keyla Marzochi, diretora do hospital Evandro Chagas, da Fiocruz, esclareceu que os sintomas dos quatro tipos de dengue (todos transmitidos pelo mesmo mosquito) são parecidos: febre, dores na cabeça e no corpo, cansaço e falta de apetite. "Se o paciente tiver dores abdominais, o caso pode ser de dengue hemorrágica, mais grave", explicou. Keyla ressaltou que o tipo 3 tem capacidade maior de se multiplicar no organismo humano.No Rio, onde há 82 casos confirmados de dengue só este ano, sendo dois de dengue hemorrágica, foi lançada ontem uma campanha de prevenção à doença. O secretário de saúde da capital, Sérgio Arouca, esteve no Méier, na zona norte, ensinando aos moradores os cuidados que se deve ter para exterminar os focos de proliferação do Aedes aegypti. "Há confirmação de surtos nas regiões Norte e Nordeste, onde existe uma grande população suscetível à contaminação por não ter contraído anteriormente a doença e, portanto, não estar imunizada", disse o secretário. No ano passado, foram registrados 3.338 casos de dengue em todo o Estado - 24 do tipo hemorrágico.O secretário de saúde de Niterói, no Grande Rio, Agnaldo Zagne, também está intensificando os cuidados quanto ao vírus. Na cidade, que, como o Rio e Nova Iguaçu, sofreu surto de dengue em 1986 e 1990, há 12 casos confirmados de dengue. "O problema é que não podemos abusar do fumacê, porque senão os animais que se alimentam do mosquito morrem envenenados com o inseticida, e isso causa desequilíbrio ambiental. Se os animais morrem, os mosquitos vão se proliferar mais ainda", disse Zagne.

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