Confirmada segunda conta de Duda Mendonça no exterior

A Polícia Federal obteve hoje a confirmação da existência de uma segunda conta no exterior em nome do publicitário Duda Mendonça, ex-marqueteiro do Palácio do Planalto. A notícia foi transmitida oficialmente pelo Ministério Público dos Estado Unidos ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que pediu à PF para convocar o publicitário para prestar novo depoimento, tão logo cheguem dados mais detalhados sobre a conta e seus abastecedores.Também será convocada para depor a filha do publicitário, Eduarda, que teria tentado sacar os recursos na agência bancária de um banco em Miami, no ano passado. A PF quer saber a origem do dinheiro e, se ficar constatado que a fonte é o mesmo caixa 2 operado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para pagar contas do PT, chamado "valerioduto", pedirá pela segunda vez a prisão preventiva de Duda.O primeiro pedido de prisão foi feito há quatro meses, quando Duda confessou à CPI dos Correios ter recebido R$ 10,5 milhões do "valerioduto" como parte do pagamento das campanhas eleitorais que fez para o partido, inclusive a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dinheiro foi depositado por Valério na conta Dusseldorf, aberta por Duda nos Estados Unidos e já devidamente mapeada. Investigadores da PF acreditam que esta segunda conta recém-descoberta possa ser uma espécie de conta siamesa da Dusseldorf.Operações suspeitas A descoberta dessa segunda conta no exterior pode ser o destino de parte da movimentação bancária de Duda. O Estado revelou na semana passada que a CPI dos Correios rastreou R$ 377 milhões em operações "suspeitas" na conta de uma das empresas do publicitário. Misteriosas transferências bancárias, assinaladas apenas como "payments" nos sigilos bancários de Duda, sem quaisquer informações sobre os beneficiários e os depositantes do dinheiro. A descoberta consta de um levantamento confidencial da CPI. Essas operações começaram em agosto de 2003, quando Duda assinou contrato de publicidade com o Palácio do Planalto. O trabalho dos peritos mostra que a saída de dinheiro como "payment" da conta de Duda costumava coincidir com os depósitos do Palácio do Planalto e da Petrobras, órgãos com os quais o publicitário tinha contrato.Os valores individuais das transferências são impressionantes. O levantamento revela que 104 operações envolveram mais de R$ 1 milhão. Os dados bancários mostram que a Duda Mendonça Associados transferiu R$ 12,7 milhões para um beneficiário não identificado via "payments". Como nas demais transações, o Bankboston não informou à CPI nem o nome do banco que participou da transferência nem o destino. No mesmo dia, por exemplo, a Presidência da República depositara R$ 2,6 milhões na mesma conta, a título de serviços publicitários.

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