Veja as principais frases de Fernando Baiano

Operador do PMDB junto à Petrobrás citou reunião em que o ex-presidente Lula tratou de interesses de empresa de Eike Batista

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 10h08

São Paulo - Nos termos da delação premiada que fez junto à Justiça Federal, o lobista apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como operador do PMDB, Fernando Soares, conhecico como Fernando Baiano, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2010) se reuniu pelo menos duas vezes com o pecuarista José Carlos Bumlai e com João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil – companhia criada pela Petrobrás para construção de um pacote de 28 navios-sondas com conteúdo nacional -, para tratar de negócios intermediados por ele, em nome do grupo OSX – do empresário Eike Batista. 

Os encontros ocorreram no Instituto Lula, em São Paulo, no primeiro semestre de 2011, e antecederam a cobrança de R$ 3 milhões por Bumlai para supostamente pagar uma dívida de imóvel de uma nora do ex-presidente, segundo o delator. Ferraz e outro ex-executivo da Sete Brasil, Eduardo Musa, confessaram em delação premiada que que esses contratos envolveram propina de 1%. Baiano, se comprometeu, em seu termo de delação premiada, a apresentar documentos bancários que comprovem a suposta transferência de valores para uma das noras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Baiano afirmou ainda que decidiu buscar ajuda de Bumlai por sua relação com ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil, governos Lula e Dilma Rousseff). Confira as principais frases de Baiano nos termos de sua delação:

“Essa reunião foi efetivamente realizada em São Paulo no final do primeiro semestre de 2011”

 “Antes dessa reunião, esse encontro ocorreu em um restaurante italiano embaixo de um flat, onde almoçaram”.

“Bumlai orientou José Carlos Ferraz sobre o que falar a Lula”.

“Depois José Carlos Ferraz e Bumlai foram para a reunião com Lula; que essa reunião ocorreu no Instituto Lula”.

“Ferraz disse que a reunião com Bumlai e Lula tinha sido muito boa".

"Ferraz teria feito uma boa exposição ao ex-presidente sobre a Sete Brasil, sobre a importância da empresa para a indústria naval brasileira e sobre as dificuldades enfrentadas para colocar os projetos para frente”

“Ferraz disse que Lula foi bastante amável com ele e teria assumido o compromisso de ajudar a dar mais velocidade nos assuntos da Sete Brasil, para viabilizar uma consolidação mais rápida da indústria naval brasileira.”

“Nessa reunião Bumlai afirmou que precisava do dinheiro porque estava sendo pressionado para resolver um problema”

“Bumlai disse que estava sendo cobrado por uma nora do ex-presidente Lula para pagar uma dívida ou uma parcela de um imóvel”.

“O pessoal da OSX disse ao depoente que considerava muito estranha a forma como tinha sido conduzida essa tomada de preços, porque a OSX seria o maior estaleiro em construção no Brasil, tinha condições de ter apresentado preços muito bons, mas, mesmo assim, a Sete Brasil/Petrobrás teria deixado a OSX fora da licitação”.

“O presidente da Sete Brasil na época era João Carlos Ferraz, o qual, de acordo com comentários do mercado, era um ex-funcionários da Petrobrás que havia sido indicado para o cargo por Antonio Palocci”.

“Bumlai confirmou que João Carlos Ferraz era indicação de Antonio Palocci e afirmou que tinha como trabalhar no assunto”.

“Bumlai disse que iria ver a possibilidade de trabalhar o assunto, ficando de dar um retorno.”


Mais conteúdo sobre:
operação lava jato lula palocci

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.