Confiante em derrubar CPMF, oposição quer apressar votação

Após reunião nesta terça-feira, ospartidos de oposição no Senado anunciaram que detêm os votosnecessários para derrubar a emenda que prorroga a CPMF até2011. Juntos, o DEM e o PSDB têm 27 votos, número que subiriapara mais de 30 com os dissidentes da base governista, como osenador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que esteve no encontro. Neste quadro, o governo não conseguiria atingir os 49 votosentre os 81 senadores para aprovar a medida. Por isso, os doispartidos mudaram de posição e agora querem votar logo a CPMF. Para isso, suspenderam a obstrução das votações das medidasprovisórias que trancam a pauta do plenário e, com ainiciativa, os prazos regimentais para a tramitação da emendada CPMF começam a caminhar. "Se a CPMF fosse a plenário hoje, eu não tenho dúvida quevenceríamos", disse o líder dos Democratas, senador JoséAgripino (RN). "A partir de agora, vocês podem ter a estranhezade acompanhar o governo querendo segurar e a oposição querendoapressar a votação da CPMF", completou. Para o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, não hánecessidade obstrução. "Vamos cumprir o regimento", disse. Os senadores tucanos vêm resistindo à pressão de seusgovernadores para aprovar a prorrogação da CPMF. Na segunda-feira, o Senado não conseguiu votar duas MPs edois projetos de lei com urgência constitucional por obstruçãoda oposição. Só com a pauta liberada correm os prazos para atramitação da CPMF. CÂMARA SEGURA VOTAÇÕES Do lado do governo, a Câmara, que aprovou a medida, vaifazer sua parte para não atrapalhar a CPMF. A base aliada naCasa vai obstruir as votações na tentativa de que as medidasprovisórias não sigam para o plenário do Senado e tranquem apauta de votações, impedindo o andamento da emenda da CPMF. A decisão da base governista foi anunciada após reunião delíderes nesta terça-feira na residência oficial do presidenteda Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Também faz parte da ofensiva governista para aprovar aprorrogação da CPMF o recuo no envio de medidas tributárias aoCongresso. Além do adiamento da entrega do projeto de reformatributária, anunciado na segunda-feira pelo ministro GuidoMantega (Fazenda), o governo decidiu postergar também asmedidas de política industrial, como confirmou nestaterça-feira o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). Na dúvida sobre se terá em caixa os 40 bilhões de reaisoriundos da CPMF, o Executivo suspendeu a renúncia fiscalprevista no projeto voltado à indústria. Na reta final, o próprio presidente Luiz Inácio Lula daSilva vai se engajar na busca por votos e deve telefonar paragovernadores e senadores. Nessas ligações, segundo uminterlocutor do Planalto, Lula vai mostrar quanto os Estadosrecebem com recursos vindos da arrecadação da CPMF. Se não tiver os votos, o governo pode adiar a votação damedida para o ano que vem, o que exigirá um prazo de 90 diaspara a prorrogação entrar em vigor.

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