Confederações reclamam que porcentual é 'excessivo'

Para presidente da Contag, contribuição de 10% ?não está correto?

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h37

A fixação do porcentual de 10% da contribuição para as centrais sindicais causou desconforto entre os dirigentes de confederações de trabalhadores, que até aqui ocupavam o topo da cadeia sindical oficial. Manoel dos Santos, presidente da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), diz apoiar a legalização das centrais, mas considera que o porcentual de 10% é excessivo e "não está correto". O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), José Calixto Ramos, contabiliza que as centrais receberão mais recursos que as confederações e só não lamenta mais porque também preside a NCST. Artur Henrique, da CUT, acha que a decisão de ratear a contribuição entre as centrais é errada. Para ele, é preciso acabar com a contribuição: "Vai ser dolorido, mas é o certo", diz.A nova regra que o governo Lula vai implantar entre as centrais fixa um princípio básico - quanto mais sindicatos filiados, mais gordos serão os recursos recebidos da contribuição sindical. Mas o primeiro foco delas será atrair a filiação de sindicatos até aqui independentes: dos 8.640 sindicatos de trabalhadores listados no País pelo Ministério do Trabalho, 4.769 (58,5%) não são filiados a nenhuma central sindical. Poucas centrais conseguirão atender à nova regulamentação. Pelo projeto, serão reconhecidas aquelas que contarem com a filiação de um mínimo de 100 sindicatos distribuídos pelas cinco regiões do País; que filiarem pelo menos 20 sindicatos em três regiões; que tiverem filiados em, no mínimo, cinco setores de atividade econômica; e, finalmente, que computarem pelo menos 5% do total de trabalhadores sindicalizados entre os sindicatos filiados.De pronto, apenas a CUT, a Força Sindical e a NCST atenderiam a essas exigências. Com a fusão das outras três, a UGT passa a atender também. O comitê central do PC do B decidiu, em recente reunião, que sua corrente sindical-classista deve sair da CUT e formar sua própria central. Especialistas duvidam que eles consigam atender aos requisitos.Enquanto não chega a hora de fazer a conta com o Ministério do Trabalho, as centrais superestimam o seu número de sindicatos filiados: a CUT anuncia ter 3.489, mas o Ministério do Trabalho lhe atribui 1.806; Paulo Pereira da Silva diz que sua central tem 39% das filiações (o que corresponderia a 1.319 sindicatos), mas oficialmente só tem 688. Ricardo Patah, que deve presidir a UGT, afirma que ela terá entre 700 e 1.000 filiados até o fim do ano (hoje, SDS, CGT e CAT, juntos, têm só 361).Artur Henrique quer que a receita dos sindicatos e das centrais venha da taxa de negociação coletiva, um porcentual aprovado em assembléia sobre os acordos de negociações salariais. Mas ele mesmo reconhece que essa receita dependerá da capacidade de mobilização e negociação das lideranças. A CUT já cobra essa taxa e Henrique afirma que é possível viver só dela.O deputado estadual Davi Zaia (PPS-SP), líder bancário em Campinas e provável vice-presidente da UGT, também defende a taxa de negociação coletiva, que desatrelaria o mundo sindical do governo. E lembra a velha discussão que sempre deixou sem resposta a pergunta: a contribuição sindical é a raiz do peleguismo?

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