José Patricio/AE
José Patricio/AE

Condenação de João Paulo Cunha 'já foi esquecida', diz Lapas

Deputado petista e réu do mensalão foi condenado pelo STF por corrupção, lavagem e peculato

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2012 | 19h18

O candidato do PT à prefeitura de Osasco, Jorge Lapas, escolhido às pressas para disputar a eleição após o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), primeiro nome indicado pelo partido ao pleito municipal, ter sido condenado no julgamento do mensalão, afirmou nesta quinta-feira, 27, que o veredicto sobre João Paulo "já foi esquecido" pela população da cidade.

O Supremo Tribunal Federal condenou em 30 de agosto o deputado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A pena será definida ao final do julgamento, que ainda não terminou.

"Está esquecido já", disse Lapas, após caminhada eleitoral ao lado do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, no Jardim D'Abril, zona oeste, divisa das duas cidades. Lapas reagiu com irritação à pergunta se o nome de Cunha influencia a sua candidatura. "Pergunta isso pra ele. Pergunta para mim o que diz respeito a Jorge Lapas", respondeu.

Segundo pesquisa Ibope divulgada em 17 de setembro, 77% dos eleitores de Osasco consideraram justa a condenação de João Paulo e 70% não votariam em candidatos apoiados por pessoas ligadas ao deputado federal.

O atual líder nas pesquisas em Osasco é o tucano Celso Giglio, que teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral e recorreu da decisão. Lapas está empatado tecnicamente em segundo lugar com Osvaldo Vergínio (PSD).

Dobradinha. O evento conjunto dos dois candidatos integra estratégia da campanha de Haddad para buscar votos de pessoas que moram em cidades vizinhas, mas têm título eleitoral na capital. O caminhão de som, contratado pela campanha de Lapas, alternava os jingles dos dois políticos.Na sexta-feira, 28, Haddad fará caminhada semelhante na fronteira da capital com Diadema.

Em discurso, Haddad e Lapas compararam suas trajetórias e se definiram como pessoas com capacidade técnica que prestaram serviços a administrações "bem sucedidas" e foram escolhidos para dar continuidade ao projeto político do PT. Lapas é engenheiro e foi secretário de Obras e Transportes e secretário de Governo na gestão do atual prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT). Haddad foi ministro da Educação do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim como na capital paulista, a estratégia de campanha de Lapas busca vinculá-lo às administrações de Lula e da presidente Dilma Rousseff. "O engenheiro Jorge Lapas está para o prefeito Emídio de Souza assim como a presidenta Dilma está para Lula", afirma o site do candidato. Nas ruas, Lapas e seus correligionários fazem o "L" com o dedo indicador e o dedão, gesto idêntico ao usado por Lula nas suas campanhas à Presidência.

Região Metropolitana. Na manhã desta quinta, Haddad participou de uma encontro com quinze candidatos do PT em cidades da região metropolitana de São Paulo, inclusive Lapas.

Segundo Haddad, todos os candidatos se comprometeram a, se eleitos, formularem um plano diretor da região metropolitana e adequarem os planos diretores municipais às diretrizes pactuadas. Candidatos de outros partidos não foram consultados, mas Haddad acredita que "ninguém se oporia" a um projeto do gênero. "O futuro de São Paulo passa pelo destino da região metropolitana", afirmou.

Há anos, urbanistas apontam a necessidade de um plano diretor integrado da região metropolitana que dê conta de questões que atingem mais de uma cidade da mancha urbana, como transporte público, resíduos sólidos e bacias hidrográficas. A proposta, no entanto, ainda não saiu do papel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.