Condenação de Dirceu é 'injusta', diz presidente da UNE

Origem política de José Dirceu, que foi preso quando ia ser eleito seu presidente, a União Nacional dos Estudantes, considera "injusta" a condenação do petista e classifica como uma "sanha condenatória" a disposição do Supremo Tribunal Federal de mandar para a cadeia boa parte dos envolvidos no caso mensalão.

LISANDRA PARAGUASSU, Agência Estado

13 de novembro de 2012 | 19h14

"A UNE acha que é injusta a condenação do José Dirceu, independentemente da pena", afirmou o presidente da entidade, Daniel Illiescu. "A UNE tem todo o direito de discordar do STF porque fez isso 20 anos atrás e ajudou a livrar o Brasil do Collor (Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment em 1992. Porque o STF absolveu Collor".

A avaliação do presidente da UNE é que os ministros não conseguiram provar a existência do mensalão na forma como foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson. Por isso, não haveria condições de dizer que José Dirceu era chefe de um grupo que se beneficiou de algum sistema de corrupção. Ainda assim, não faz parte dos planos da entidade fazer qualquer tipo de manifestação pública em defesa de José Dirceu. De acordo com seu presidente, não existe uma opinião formal da entidade sobre a defesa do ex-ministro e nem de outros envolvidos com o caso

Illiescu defende que o debate principal não está sendo feito com o julgamento no Supremo, mas há uma "sanha condenatória" contra algumas pessoas em vez de um debate correto sobre combate à corrupção. "A gente entende que o Brasil precisa ter não é essa sanha condenatória de comemorar a condenação de uma pessoa ou outra, mas medidas estruturantes que ataquem os corruptores e reforcem a democracia através de uma reforma política", disse. "Consideramos que esse episódio deve deixar um legado para o país. Não interessa à une o achincalhamento de uma pessoa ou mesmo a substituição de um senador por outro, de um ministro por outro, de um publicitário por outro. Não nos basta".

De acordo com Illiescu, a entidade defende uma reforma política que leve ao financiamento público de campanhas, para evitar o caixa dois que, diz, todos os partidos políticas usam em maior ou menor grau.

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