Condenação da polícia foi 'bom começo', diz primo de Jean Charles

Alex Pereira pediu inquérito para esclarecer mais fatos sobre a morte do brasileiro.

BBC Brasil, BBC

01 de novembro de 2007 | 19h40

O primo de Jean Charles de Menezes, Alex Pereira, disse nesta quinta-feira em Londres que considerou "um bom começo" o fato de a polícia de Londres ter sido considerada culpada em um julgamento relacionado à morte de Jean.Pereira acrescentou, no entanto, esperar que agora um inquérito sobre o episódio ajude a esclarecer melhor as circunstâncias da morte e aponte "a culpa de cada um, individualmente" dos policiais envolvidos."Acho que a parte abordada pelo julgamento, que é a operação que foi da casa até a morte dele, acho que o juiz e os jurados trabalharam muito bonito", disse Pereira à BBC Brasil. "É a primeira vez que o público decidiu alguma coisa, decidiu uma coisa certa.""Agora vem o inquérito, quando as nossas perguntas vão ser colocadas", acrescentou. "Vai ter muita pergunta que, desta vez, não tivemos oportunidade de perguntar, porque nós não tivemos participação nenhuma no julgamento."Alex Pereira afirma esperar, por exemplo, que o inquérito esclareça "por que atiraram se tinham certeza que ele não estava carregando nada"."E eles disseram que poderia ser (que Jean carregasse) uma bomba pequena. Que tipo de bomba?", completou.O primo de Jean Charles também se mostrou aborrecido com a forma como a defesa da polícia tentou apresentar o brasileiro durante o julgamento."O nível da polícia nessa defesa foi lá embaixo. A foto foi demais", disse, em uma referência a uma fotomontagem divulgada pela defesa que mostra metade do rosto de Jean Charles unida com metade do rosto do suspeito Hussein Osman, que os policiais achavam que fosse o brasileiro no dia em que o mataram."A foto foi a pior coisa e começou a mostrar o baixo nível do advogado de defesa", protestou Pereira. "Ele foi ridículo, defendendo uma organização tão grande como a polícia como se estivesse defendendo um criminoso que não merece ter perdão.""Eu acho que a polícia é culpada, mas são indivíduos que são culpados e não as 53 mil pessoas que trabalham na polícia", concluiu o primo do brasileiro.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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