Conde sai do PFL atacando o partido

Um discurso de ataque ao PFL, prestigiado pelo presidente regional da legenda, uma guinada à esquerda de um político conservador e um bolo de damasco para celebrar a mudança. Assim foi o ato de saída, dos quadros pefelistas, do ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde, no qual o deputado Arolde de Oliveira, que preside a legenda no Estado, ouviu calado seu ex-companheiro acusar a direção nacional do partido de autoritária e de, ao aceitar de volta seu rival Cesar Maia, que retorna oficialmente ao PFL, praticar oportunismo eleitoral. O parlamentar até abraçou o ex-prefeito e lhe desejou felicidade."Retiro-me do PFL pela total discordância na condução dos métodos e processos, contrárias às próprias recomendações estatutárias", atacou Conde, lendo nota que distribuiu. Ele criticou o que chamou de "falta de respeito da direção nacional" do PFL às decisões locais e a "ingerência descabida e autoritária" no partido na cidade e no Estado, segundo ele "ato de força que humilha tanto eleitos como seus eleitores". Conde também acusou o PFL, "mesmo local", de fazer uma opção "definitivamente conservadora" e de optar pelo "autoritarismo", negando "necessidades de mudança e as reformas que virão".Oliveira contou ter sido convidado, na véspera, para o ato em que seu partido foi desancado. Recebeu as críticas com naturalidade e não viu contradição na sua presença em uma manifestação de ataque à legenda que preside. "A gente tem que entender as razões pelas quais o prefeito Conde está saindo", disse. "E, junto com essas razões, temos que entender que existem as mágoas, a frustração." O deputado considerou "natural" a linguagem dura de Conde, ao se referir ao partido. "Não nos preocupamos com essas coisas", declarou, negando ter havido ingerência do comando nacional do PFL no Rio.OposiçãoConde não anunciou o seu destino partidário, mas já tem convites do PSB do governador Anthony Garotinho -hoje, sua opção mais provável - e do PTB. Defensor, até a eleição de 2000, do governo federal, o ex-pefelista atacou até o presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo jantar com empresários que promoveu na semana passada, e o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que, segundo ele, operou contra sua candidatura à reeleição, no ano passado. O ex-prefeito contou que vai promover um seminário com os partidos de oposição, cujos presidentes já convidou, para discutir alternância de poder e governabilidade."Acho que essa eleição tende a ser um plebiscito entre os que querem que continue essa política e quem quer a estabilidade, mas quer também uma política compensatória", declarou, depois de, ao lado da mulher Riza, posar para fotos, cortando o bolo que, segundo ela, comemorava a saída. Com Conde, devem seguir quatro vereadores e dois deputados federais.

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