Conde assume Furnas e diz que teve crise de identidade

Ex-prefeito do Rio afirma que enfrentou dilema ao ser chamado para cargo

Kelly Lima e Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O ex-prefeito Luiz Paulo Conde (PMDB) assumiu ontem a presidência de Furnas Centrais Elétricas, a maior empresa do Grupo Eletrobrás, dizendo que teve uma crise de identidade ao ser convidado para o cargo. "Quando fui prefeito da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, muitos diziam que meu principal defeito é que eu era técnico, e não político. Agora, dizem que meu problema é que sou político, e não técnico. Mas me livrei desse dilema, confortando-me em um ensinamento do meu sábio amigo empresário Lázaro Brandão: o verdadeiro currículo de uma pessoa começa mesmo no seu primeiro dia de trabalho", disse Conde ao tomar posse.No discurso repassado à imprensa, ele prometeu empenho para "resolver os impasses, trabalhando para agilizar licenças ambientais para o início imediato das obras". E negou qualquer ação que prejudique o Fundo Real Grandeza, o fundo de pensão dos funcionários da estatal .A nomeação de Conde foi a condição apresentada por deputados do PMDB, liderados por Eduardo Cunha (RJ), para dar apoio ao governo Lula, no início do segundo mandato. Também foi parte do acordo que, em fevereiro, resultou na eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Mas tinha a oposição da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Até a véspera, circulavam informações, atribuídas à Casa Civil, de que seu nome poderia ser rejeitado na assembléia de Furnas.Um atrativo da estatal para o PMDB, como informou o Estado ontem, é o Programa Luz Para Todos, que prevê levar energia para 10 milhões de pessoas e terá investimentos de R$ 12,7 bilhões - R$ 7,9 bilhões já assinados. No Sudeste, o programa é operacionalizado por Furnas.No Planalto, atribui-se a demora na nomeação de Conde ao substitutivo de Cunha para a prorrogação da CPMF. Relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele deixou pontos que contrariam o governo, como a divisão da receita com Estados e municípios.BARRADOSA assessoria de Conde não permitiu a presença da imprensa na posse, alegando "falta de espaço" para os cinco repórteres. Mas, além do auditório de 190 lugares, havia telões no saguão para 600 pessoas, entre convidados e funcionários. A assessoria tentou atribuir o impedimento a uma "tradição de Furnas na troca de cargos de seus presidentes", o que foi rapidamente desmentido pela assessoria de imprensa da companhia.Os jornalistas tiveram que esperar fora das catracas a distribuição da transcrição do discurso. Conde não deu entrevista.

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