Concessão de rádio foi dada quando Renan já era processado

Rádio fica no município de Murici, onde o prefeito é Renan Calheiros Filho e matéria não foi votada em plenário

09 de agosto de 2007 | 00h35

A concessão da rádio Murici FM do grupo JR Radiodifusão, que tem o filho do presidente do Senado Renan Calheiros como um dos sócios, foi aprovada em dois de julho e a matéria não precisou de votação em plenário, segundo reportagem exibida nesta quinta-feira pelo Jornal da Globo. A aprovação aconteceu apenas na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática e quando Renan Calheiros já era processado no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.   Veja também:    Cronologia do caso Renan     'Nada tenho a temer, nada tenho a esconder', diz Renan no Senado  Agripino, líder do DEM, cobra saída de Renan da presidência  Renan reage a pedido de Agripino, líder do DEM  Veja especial sobre o caso Renan    A nova rádio fica no município de Murici, onde o prefeito é Renan Calheiros Filho. Ainda segundo a reportagem, em documentos da junta comercial de Alagoas, Renan Calheiros Filho figura também como sócio do grupo de comunicação Costa Dourada, proprietário das rádios Correio AM e CBN FM de Maceió. O quadro societário da empresa tem ainda José Queiros de Oliveira e Ildefonso Tito Uchoa, primo do presidente do Senado.   Segundo o Jornal da Globo, a JR recebeu a concessão de quatro rádios em Alagoas. Duas delas ainda dependem de aprovação no Congresso: as FMs dos municípios de Água Branca e Joaquim Gomes. Já a Murici FM e a Porto Real FM foram aprovadas.   O Conselho de Ética abriu novo processo na quarta-feira, 8, para investigar as denúncias da Revista Veja sobre o uso de laranjas por Renan para constituir a empresa JR Radiodifusão e comprar um jornal e rádios em Alagoas.   Os documentos apresentados pela revista estão no nome de Ricardo Santa Ritta, assessor de Renan, Tito Ucho, que é primo do senador. Há ainda uma alteração contratual na qual o filho do presidente do Senado passa a ser sócio da empresa JR Radiodifusão. A revista disse ainda que Renan foi sócio, junto com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL), do jornal diário O Jornal até dois anos atrás.   De acordo com a revista, a compra do grupo O Jornal , que tinha à época o jornal diário e a concessão de uma rádio, atual Rádio Correio, teria acontecido no final de 1998 para atender as pretensões do senador de se candidatar ao governo do Estado nas eleições seguintes. O grupo O Jornal era de propriedade do empresário Nazário Pimentel. Na reportagem da revista, o empresário admitiu que a negociação foi feita por Renan Calheiros.   Renan e Lyra, segundo Veja, criaram a empresa JR Radiodifusão, cujo registro oficial foi feito em nome de Carlos Ricardo Santa Ritta, funcionário do gabinete de Renan e que seria o laranja do senador, e do corretor de imóveis José Carlos Pacheco Paes, representante de Lyra.   Em 2005, a sociedade foi desfeita com a saída do representante de Lyra e a entrada, em seu lugar, de Tito Uchoa, primo de Renan. A empresa ainda teve alteração contratual com a transferência da participação de Carlos Santa Ritta na sociedade para Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, filho do senador.   No ano passado, o Ministério das Comunicações liberou à JR a concessão de uma rádio FM para operar no interior de Alagoas, a Rádio Porto Real. A outorga foi aprovada pelo Congresso em abril deste ano. De acordo com a Veja, na época da concessão, a JR já estava em nome do filho e do primo do Renan, mas no registros do Ministério das Comunicações, a empresa de radiodifusão ainda pertence a Carlos Ricardo Santa Ritta e José Carlos Pacheco Paes.

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