Comunidades às margens do Xingu aguardam luz elétrica

No local, 2,5 mil famílias aguardam a chegada do Programa Luz para Todos, que está no papel

Agência Brasil

05 de agosto de 2008 | 15h56

As comunidades de vilas e áreas rurais que vivem do lado esquerdo do Rio Xingu, no município de São Félix do Xingu (PA), ainda vivem no escuro, sem acesso à energia elétrica. No local, 2,5 mil famílias aguardam a chegada do Programa Luz para Todos, que ainda continua no papel.  O pedido foi protocolado em 2005 nas Centrais Elétricas do Pará (Celpa) pela Associação dos Produtores Rurais de Vila Central, que tem 228 famílias cadastradas. Em 2006, os representantes das comunidades da região foram a Belém, para saber, na Celpa, qual o andamento do projeto. Os dirigentes da estatal pediram a realização de um levantamento e de um cadastro dos moradores da região. No ano passado, a Celpa entregou um documento aos cadastrados anunciando a aprovação da ordem de serviço para construir a rede de alta tensão, saindo de São Félix do Xingu até a divisa com o município de Altamira. Com uma extensão de 300 quilômetros, o projeto deverá beneficiar seis comunidades nas vilas Novo Horizonte, Central, Novo Planalto, Pontalina, Cotia e Primavera. Ontem (4), depois de participar de uma entrevista na Rádio Nacional da Amazônia, o assessor de coordenação do Programa Luz para Todos no Pará, Luís Galize, prometeu ao presidente da Associação dos Produtores da Vila Central, Noeci Batista Gama, mais conhecido por Noé, que dará uma resposta à população local na próxima quarta-feira.  Com a falta de energia, os produtores não conseguem agregar valor à mão-de-obra local. Noé disse que algumas famílias compraram máquinas de despolpar frutas para processar o cupuaçu, o açaí e o cacau. "Mas na falta de geladeiras aqui nós não temos como conservar a polpa das frutas, uma verdura, nem resfriar uma carne", informa Noé, explicando que a carne que sobra precisa ser cozida ou salgada e desidratada ao sol. Francisca Pinheiro dos Santos, também da Vila Central, conta que este ano conseguiu recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) para o cultivo de cacau.  "Meu marido já tinha feito um empréstimo do Pronaf para fazer curral, cercas e comprar umas vacas, e eu consegui esse empréstimo de R$ 18 mil do Pronaf-Mulher e plantamos 5 mil mudas de cacau. Agora precisamos da energia elétrica para congelar a polpa das frutas e resfriar o leite, beber uma coalhada gelada", anima-se Francisca, que agora só pensa em começar a colher os frutos para pagar o empréstimo, que tem carência de quatro anos e outros quatro para quitar. Ao todo, são 30 beneficiários do Pronaf para o plantio de cacau, sendo 12 mulheres. Em outra área de pequenos produtores, a 40 quilômetros da Vila Central, fica a Vila do T, próximo ao Rio Triunfo. As casas são simples, de tábua, mas há um posto de saúde, bem montado, construído em alvenaria, com sala de espera, sala de curativos, de consulta, sala de repouso e até uma farmácia com os remédios para as doenças mais comuns na região. Só que não tem energia. A enfermeira Maria Isabel Carneiro Alves disse que vacinas e outros remédios que precisam ficar na geladeira não são comprados.  "Existe um motor de luz da vizinha e quando há necessidade de atendimento à noite ela liga o motor para eu atender o paciente. Mas não temos nada de refrigeração."  Isabel fez enfermagem na Bahia e atende, na Vila do T, cerca de 180 pacientes por mês. O médico visita a região a cada trimestre. Apesar de todas as dificuldades para trabalhar, Isabel é uma pessoa alegre, sorridente, e disse que a chegada da energia elétrica é um sonho da população, mas, segundo ela, o que existe por enquanto, é o projeto, a promessa e a esperança de todos.

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