Comunidade cristã italiana pede ao papa clemência para Pizzolato

Grupo católico é o mesmo ao qual se juntou a mulher do ex-diretor do BB, Andrea Haas; religiosos afirmam ao "prezadíssimo Papa Francisco" que interceda "com os meios que julgar necessários

Andrei Neto, correspondente de O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 19h46

PARIS - Não foi por falta de orações que o Ministério da Justiça da Itália decidiu extraditar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Na quinta-feira, horas depois que a determinação foi informada aos advogados do caso, a Comunidade Cristã de Base de Vilagio Artigiano, em Modena, escreveu ao papa Francisco pedindo sua intervenção para a "anulação do pedido de extradição" por "violações óbvias e perturbadoras do direito" do Brasil, da Itália e das convenções internacionais.


O pedido foi feito pela mesma comunidade à qual Andrea Haas, esposa de Pizzolato, aderiu após a prisão de seu marido em Modena, há 18 meses. Segundo a comunidade cristã, o ex-diretor do BB "não era um político, mas como um político tem sido tratado". "Ele era um líder sindical e bancário do Banco do Brasil, mas foi julgado e condenado sob a pressão violentíssima de alguns grandes veículos de imprensa", diz a carta, que não afirma a inocência do "ítalo-brasileiro".


"Não é tanto em nome de inocência Pizzolato que pedimos que sua voz possa ser unida com a nossa", diz a correspondência. O grupo pede ao papa Francisco que utilize "os meios que considere adequados para a anulação do pedido de extradição". "Henrique Pizzolato não tenha tido a oportunidade, garantida pela Constituição do Brasil, de ter uma segunda fase do processo. Ele foi julgado e condenado em um clima de justicialismo violento da mídia, por um único tribunal", alega.


A comunidade demonstra na carta já conhecer o parecer do Ministério da Justiça, que só foi revelado à opinião pública na manhã desta sexta-feira. "Incrivelmente o Estado italiano vai conceder a extradição de um dos seus nacionais ao Brasil (reiteramos que Pizzolato também tem cidadania italiana) por razões que são francamente estranhas à cultura do direito e do asilo", argumentam os autores. 

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