Comunidade científica se revolta com expulsão de bióloga nos EUA

A cientista brasileira Vera Lúcia Reis, que viajou aos Estados Unidos a convite de uma instituição de pesquisa americana, foi detida por 12 horas no aeroporto de Nova York e mandada de volta ao Brasil no dia 16 deste mês, acusada de tráfico de mulheres. Segundo autoridades americanas, a bióloga, que é consultora ambiental no Tocantins, teria recebido dinheiro para levar aos Estados Unidos uma jovem de Goiânia, Halana Cristina Martins Pereira, que nega a acusação.O fato causou revolta na comunidade científica brasileira, que teme que o incidente possa prejudicar projetos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, como a LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que depende de viagens de pesquisadores norte-americanos ao País e vice-versa.Ao concluir o doutorado na USP de São Carlos (SP), Vera recebeu um convite do Woods Hole Research (WHRC), instituição de pesquisa de Massachusetts, para passar alguns dias nos EUA e transformar sua tese sobre os impactos ambientais da usina hidrelétrica de Lajeado (TO) em vários artigos.Mas, ao desembarcar nos Estados Unidos no dia 16, a bióloga foi detida por agentes do Serviço de Naturalização e Imigração (INS), acusada de ter ganho dinheiro para levar a jovem Halana aos EUA. Em depoimento à Polícia Federal, Halana, que foi ao país em busca de emprego, negou que conhecesse a cientista. Ela disse ainda que foi ?tratada de maneira humilhante, com agressão verbal e psicológica? e pressionada a confessar que tinha relações prévias com a bióloga.Sobre a jovem, Vera disse apenas que a conheceu na hora do embarque, no aeroporto do Rio de Janeiro, e que conversaram na fila da imigração quando foram chamadas a guichês diferentes. A cientista comentou ainda que recebeu um tratamento arbitrário, e que foi impedida de entrar em contato com o WHRC ou para o Brasil. Ela afirma também que tentou, em vão, explicar o motivo da sua viagem.O coordenador do LBA, Carlos Nobre, disse estar ofendido com o caso e que conhece Vera e Halana. A embaixada dos Estados Unidos em Brasília afirma que não tem posição oficial sobre o caso, mas que o está investigando. As informações foram divulgadas hoje no jornal Folha de S. Paulo.

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