Comunicação da gestão Alckmin já está em disputa

Licitação inédita concentra em contrato único monitoramento de reportagens e divulgação das principais ações do governo tucano

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 20h42

SÃO PAULO - As dez principais agências de comunicação do País disputam, em licitação inédita no Estado, a milionária conta do Sistema de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (Sicom), órgão da Secretaria de Comunicação paulista. O vencedor será determinante para a popularidade do governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) durante os próximos quatro anos.

 

Segundo o edital, o orçamento estadual reservou R$ 6 milhões para a agência vencedora do certame. O contrato é de um ano, prorrogável por até 60 meses. As concorrentes apresentaram propostas no dia 21 de outubro e os envelopes foram abertos no dia seguinte, em meio à disputa eleitoral. Não há previsão de quando sairá o resultado.

 

"O vencedor e o valor do contrato serão divulgados depois de cumpridos todos os trâmites previstos no edital, que é de domínio público", informou a Secretaria de Comunicação, por meio de nota.

 

Estão na disputa Companhia de Notícias (CDN), FSB Comunicações, A4 Comunicação, InPress Porter Novelli, entre outras agências. A concorrência é tida como o filé da gestão estadual na área de comunicação. Hoje, o sistema de atendimento do governo é dividido entre as secretarias via contratos menores.

 

O objetivo essencial da contratação é que a vencedora traga ferramentas suficientes para cuidar da imagem institucional do governo de São Paulo e da própria imagem de Alckmin em sua nova empreitada à frente do Palácio dos Bandeirantes.

 

Para isso, o governo solicita à agência, em edital, que realize o monitoramento diário da exposição da administração estadual na mídia - o que inclui a avaliação de reportagens positivas, negativas ou neutras sobre a gestão -, além de um plano estratégico de comunicação que enalteça suas ações e programas.

 

Bandeiras

 

O edital da licitação, que selecionará por "técnica e preços", ressalta para as empresas concorrentes as bandeiras da gestão tucana. Fazem parte da lista o Rodoanel, as escolas técnicas estaduais (Fatecs e Etecs), os equipamentos de saúde, o Acessa São Paulo e a Nota Fiscal Paulista.

 

Para efetuar a contratação da agência vencedora, o governo estadual vai avaliar o quadro pessoal das agências e a capacidade de atender às demandas. Quem vencer terá de montar uma equipe e instalá-la dentro do Palácio dos Bandeirantes.

 

O governo estadual elaborou um teste que ajudará a definir o vencedor. As concorrentes tiveram de construir uma estratégia de comunicação para um programa fictício do governo - a Operação Clima Seco - com foco em desenvolvimento sustentável e políticas ambientais.

 

O "problema de comunicação", afirma o edital, é semelhante à Operação Verão do litoral paulista, que envolve diversas pastas do governo, entre elas a de Transportes e a da Segurança Pública. A adoção de um programa que passa por várias pastas no edital corrobora a expectativa de que a agência contratada vai estabelecer diretrizes para todo o secretariado.

 

A licitação, realizada pela primeira vez pelo governo paulista, atende à exigência da Lei Federal 12.232, de abril deste ano, que passou a regular a contratação de agências de comunicação na administração pública.

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