Computador é ferramenta para ensino infantil, diz Papert

Criador do construcionismo, teoria que prega a possibilidade de o aluno construir seu próprio aprendizado, o professor norte-americano Seymour Papert pediu nesta segunda-feira, em videoconferência dos Estados Unidos, para os participantes do Instituto de Inverno, que acontece em Curitiba, se envolverem na discussão de novos modelos de aprendizagem. "Há uma revolução no aprendizado no mundo todo", disse. "É preciso envolver as pessoas, porque podemos e vamos mudar o mundo."Para Papert, o computador é uma das principais ferramentas a serviço das crianças, que podem aprender brincando e fazendo. "A realidade não se ajusta ao desejo", disse. "Se o brinquedo não deu certo, a criança tem que saber como consertar", acrescentou. "Fazer funcionar é o desafio." Segundo Papert, a criança precisa ter os meios para reter o conhecimento e adquirir outros pela Internet ou outras formas de conhecimento virtual. Papert é um dos mais apaixonados defensores de que o aprendizado não deve ficar restrito a currículos escolares divididos segundo a idade, séries e períodos. "O tempo da escola tem uma divisão específica, sem qualquer correspondente em nenhum lugar", disse Papert. "Isso é ridículo." Ele exemplificou que uma criança da 3ª série pode estar construindo um carrinho de brinquedo, que precisa subir uma rampa por fricção. Mas a fricção somente lhe será ensinada, pelo currículo, na 8ª série. "A criança precisa de conhecimento aqui e agora", acentuou. "É aí que ela aprende." O Instituto de Inverno reúne no Parque Barigüi, em Curitiba, cerca de 200 participantes dos Estados Unidos e de várias regiões do Brasil para uma troca de informações sobre a aplicação de novas tecnologias na educação. O evento integra o Learning Hub (Elo de Aprendizagem), programa que organiza uma rede de cooperação internacional conectando as experiências inovadoras, o instituto também propõe uma série de atividades práticas, entre elas a constituição por estudantes do ensino fundamental de um jornal diário na Internet, em um projeto que tem o apoio da Agência Estado. Coordenador do encontro, o norte-americano David Cavallo disse ontem, durante a abertura dos trabalhos, que teve o robô Zum-Zum, feito com cubos de Lego, como uma das atrações, que é preciso "ter visão, ter coragem para implementar mudanças que muitos acham que não é o certo". Ter computadores na escola não pode, segundo ele, ser apenas um jeito automatizado de fazer o ensino tradicional. "Seria muito caro", acentuou. "O computador não pode ser somente meio de comunicação, mas a criança precisa interagir com ele, se envolver e expressar suas idéias individual e coletivamente". Cavallo é o palestrante de hoje no encontro, que termina no dia 26.

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