André Dusek|Estadão
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'Vinda de Lula fortalece o meu governo; é um hábil articulador', diz Dilma

Presidente afirma que inequívoca experiência política do petista foi motivo primordial para nomeá-lo ministro-chefe da Casa Civil

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 16h28

BRASÍLIA - Em entrevista à imprensa após a confirmação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como novo ministro-chefe da Casa Civil do governo nesta quarta-feira, 16, a presidente Dilma Rousseff defendeu a nomeação do petista e disse que não se sente “nem um pouco desconfortável” com a presença dele no Palácio do Planalto. “A vinda de Lula fortalece o meu governo e tem gente que não o quer fortalecido”, desabafou a presidente, ao dizer que ele “vai ser um grande ganho” para o seu governo porque “Lula vem com capital político de hábil articulador”. Segundo Dilma, Lula "terá os poderes necessários" para ajudá-la em seu governo.

Ao ser lembrada que o ex-presidente viria como uma espécie de superministro, podendo fazer sombra a ela, Dilma primeiro reiterou que “o presidente Lula no Ministério é importante e relevante pela inequívoca experiencia política dele”. Em seguida, disse que “tem seis anos que vocês tentam me separar do Lula. A minha relação com Lula não é relação de poder ou superpoderes. É uma sólida relação de quem constrói um projeto”.

Em várias oportunidades, a presidente fez questão de dizer que Lula tem conhecimento sobre as necessidades do País e tem experiência em infraestrutura e políticas sociais. “Tenho certeza que tudo que ele puder fazer para ajudar o Brasil será feito”, emendou.

'Estabilidade fiscal'. Dilma destacou ainda o "compromisso" de Lula com a estabilidade fiscal e afirmou que a "inequívoca experiência política" do petista foi motivo primordial para nomeá-lo."Compromisso de Lula com estabilidade fiscal é real, basta olhar a trajetória dele", disse a presidente.

Ao responder uma pergunta, a presidente afirmou ainda que o ministro da Fazenda Nelson Barbosa e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não estão ameaçados e "estão mais dentro do que nunca". Segundo Dilma, as especulações sobre o descontentamento e a saída de alguns dos ministros “não se admitem pois criam turbulência na economia”. “Nem o ministro Nelson Barbosa, nem Tombini estão com alguma (..) nem alguém ou qualquer coisa que levantaram a possibilidade de sair. Pelo contrário estão mais dentro do que nunca”.  

Investigado. Questionada se não havia constrangimento de Lula, que está sendo investigado, integrar seu governo, Dilma disse que não, porque existe “um princípio da ficha limpa”. Em seguida, a presidente classificou os termos das investigações que estão sendo realizadas “são muito estranhos”. Pela primeira vez, a presidente Dilma entrou no mérito das acusações que estão sendo feitas a Lula, sobre suas propriedades. “Lula nega que tenha o tríplex, não se recusa a dar explicações, sempre que foi chamado se manifestou”, defendeu Dilma, ao criticar o pedido de prisão preventiva feito contra ele pelo Ministério Público de São Paulo. “Acho que um presidente que esteve à frente do País por oito anos não pode ter a sua biografia destruída dessa forma”, queixou-se. “Eu conheço ele, o compromisso dele com todas as práticas corretas e idôneas”, emendou.

Dilma criticou as afirmações de que Lula estaria vindo para o governo para se livrar do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, e questionou se quem diz isso estaria suspeitando do Supremo Tribunal Federal. “Achar que investigação de Moro é melhor que investigação do Supremo é inversão de hierarquia”, declarou. “Por acaso o o STF não é uma justiça que pode punir e mandar absorver, mandar investigar? É a Suprema Corte do País”, prosseguiu Dilma, acrescentado que a “STF é suprema corte do País, prerrogativa de foro não significa não ser investigado”.

Na entrevista, ao ser perguntada sobre as exigências que Lula fez para assumir o governo, Dilma desconversou dizendo que “isso não é do perfil do presidente Lula”. Ela justificou a demora dele em concordar em assumir o cargo por ter dúvidas. “O presidente Lula tinha dúvidas se ele deveria ou não assumir ao cargo. Dúvidas essas mais ligadas a situação, ao confronto que a oposição poderia fazer sobre suas razões”, comentou ele, ressaltando que achava que “essa dúvidas foram integramente superadas”.

Sobre a possibilidade de Lula no governo ajudar a afastar o impeachment, a presidente desconversou.

Mercadante. A presidente também saiu em defesa do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que na delação de Delcídio Amaral aparece negociando com um assessor do senador. "Eu acredtio que ministro Mercadante deu as explicações satisfatórias", disse Dilma. "Não tenho porque não manter a confiança no ministro Mercadante."

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