Vera Massaro e José A. Teixeira/Alesp
Vera Massaro e José A. Teixeira/Alesp

Compra de cadeiras causa mal-estar entre tucanos na Alesp

O atual presidente da Assembleia, Cauê Macris, cancelou licitação feita na gestão do antecessor, Fernando Capez

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 05h00
Atualizado 04 de abril de 2017 | 17h27

Há duas semanas na presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Cauê Macris (PSDB) cancelou uma licitação de R$ 1,54 milhões para a compra de 920 cadeiras giratórias de luxo. A decisão causou um mal-estar com seu antecessor, o também deputado estadual tucano Fernando Capez. 

As exigências técnicas para a aquisição das cadeiras para a Casa, que conta com 94 parlamentares, são bastante específicas. O documento exige dos fornecedores que elas tenham “ajuste da tensão do mecanismo de inclinação para possibilitar o movimento relax ao biótipo do usuário através de manípulo sob o assento”. 

Outro item descrito pede que cada unidade seja “giratória em 360 graus, em nylon de alto impacto ou aço, na cor preta; deslocamento horizontal através de cinco patas, rodízio espaciais blindados de alta resistência, com controle de frenagem automático e manual, em nylon para piso frio e carpete”. 

Ao Estado, Macris criticou a decisão da mesa diretora da legislatura anterior de ter aberto uma licitação como essa em tempo de crise. “Como pode a Assembleia, em uma crise como essa, ter feito uma licitação assim para comprar 920 cadeiras? Determinei o cancelamento e a suspensão (da licitação). Não teria cabimento.”

Decisão. Ex-presidente da Assembleia, Fernando Capez afirmou que a decisão de suspender a licitação foi dele, e não do colega de bancada. “Não foi o Cauê que suspendeu, fui eu.” 

Capez afirmou, porém, que a decisão no Diário Oficial virá com assinatura de Macris porque ele optou por deixá-la para a nova mesa diretora, mas após ter alertado o sucessor. 

“Eu não cancelei e deixei a decisão para a nova Mesa a pedido do Cauê”, disse o deputado estadual. Ainda segundo Capez, a decisão de abrir uma licitação de compra de mobiliário é uma atribuição do 1.° secretário, que na legislatura anterior era o deputado Ênio Tato, do PT. 

Ex-primeiro secretário da Assembleia, o deputado Enio Tatto disse que a responsabilidade pela licitação das 920 cadeiras era do 2° secretário, Edmir Chedid (DEM), mas minimiza o caso. "Não há um único responsável".

Procurada, a assessoria de Chedid disse que ele não vai se pronunciar.

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