Comportamento instável de Maranhão preocupa Planalto

Interlocutores de Temer afirmam que comportamento instável do presidente interino da Câmara pode surpreender e até mesmo adiar para após o recesso a escolha do sucessor de Cunha

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 18h07

BRASÍLIA - A mudança do horário da sessão que escolherá o sucessor de Eduardo Cunha das 16 horas para as 19 horas e depois uma nova alteração para as 17h30 gerou tensão no Palácio do Planalto. Interlocutores do presidente em exercício, Michel Temer, afirmam que o comportamento instável do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, pode surpreender e até mesmo adiar para após o recesso a escolha do sucessor de Cunha.

Apesar de ainda considerarem improvável essa possibilidade, fonte do Planalto destaca que “é mais do que conhecido” o desejo de Maranhão de se estender na presidência. “Que ele gostaria disso não tenho dúvida nenhuma”, afirmou um interlocutor direto de Temer.

Questionado se o Planalto poderia operar em algum sentido para que Maranhão garanta a conclusão da votação desta quarta-feira, 13, interlocutores reconhecem que há dificuldades de relação com o atual mandatário da Câmara, já que ele “está dialogando para outro lado”. “Ele tem um projeto com o governador (do Maranhã) Flavio Dino (PC do B), tem um projeto lá no Maranhão, mas com certeza tem essa tensão”, reconheceu uma fonte.

Desidratado. A avaliação no Planalto neste momento é que a força-tarefa para desidratar a candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI) foi bem-sucedida. Desde cedo ministros de todo o governo trabalharam com o objetivo de esvaziar a candidatura do ex-ministro da Dilma, que angariou votos do PT, com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quem desapareceu foi o Marcelo. O Marcelo acabou. A notícia que a gente tem é que se ele é o candidato do PT ninguém do PMDB mais quer votar nele”, disse um titular da Esplanada.

Apesar de também existir no momento a avaliação de que Rodrigo Maia, do DEM, ganhou força com a “queda” de Castro, para interlocutores de Temer, é preciso tomar cuidado com um total desembarque da candidatura de Rogério Rosso, que antes era o favorito do governo. Para uma fonte, a saída de Rosso do páreo poderia abrir espaço para Giacobo que, para o Planalto, é considerado “ruim” e “despreparado”. “Ele (Giacobo) é muito pouco diferente do Maranhão.”

Temer continua tentando se manter distante do processo para evitar problemas com a já dividida base. O governo sabe que após a decisão do plenário terá que trabalhar para recompor os danos e as “mágoas” causados pelo processo. O presidente em exercício deve acompanhar parte da sessão de seu gabinete no Planalto.

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