Companheiros de Lula no sindicato são indenizados

Governo define reparação financeira para militantes que organizaram greves no ABC nos anos 70 e 80

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

Quarenta e um metalúrgicos que participaram das históricas greves dos anos 70 80 receberam ontem o reconhecimento oficial da condição de perseguidos políticos, em decisão tomada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, região do ABC. Do grupo contemplado, 27 receberão um valor mensal médio de R$ 2 mil e indenizações retroativas de cerca de R$ 260 mil. Outros 12 receberão um benefício único, com valor médio de R$ 78 mil, e dois processos foram retirados de pauta.Apesar da vitória, vários indenizados - que integraram diretorias do Sindicato dos Metalúrgicos no período em que este foi comandado pelo hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - reclamaram dos valores das reparações, que consideraram baixos demais.Lula já fora indenizado - só que pelo Ministério do Trabalho - e passou a receber, em março de 1997, pensão de R$ 2.195,40 por mês - na época em que o teto da aposentadoria para o setor privado era de R$ 957. Na ocasião em que ganhou a ação, o presidente recebeu pouco mais de R$ 56 mil em benefícios atrasados. No fim de 2006, ele recebia cerca de R$ 4.800 por mês. Lula ficou 31 dias preso no extinto Departamento de Ordem Política e Social (Deops) por ter comandado uma paralisação.EXCEÇÃOUm dos contemplados ontem, Jaime Ferreira da Silva, o Jaiminho, ex-diretor de base da entidade, foi uma exceção entre os colegas, por considerar "razoável" o pagamento de R$ 2,7 mil mensais que receberá e os R$ 402 mil arbitrados para a indenização retroativa. Vários integrantes da Comissão de Anistia sugeriram que os anistiados não se preocupassem somente com os valores, mas com o significado simbólico.Jaiminho disse que precisava mesmo do dinheiro. Depois que foi demitido da última empresa, enfrentou uma crise de depressão e a filha sofreu um acidente vascular cerebral. "Agora vou ter condições de cuidar da minha filha, que nem consegue andar. Passei por muitas dificuldades nos últimos anos", ressaltou Jaiminho, que chegou a chorar quando foi anunciado o resultado.Keiji Kanashiro, ex-secretário-executivo do Ministério dos Transportes no governo Lula e fundador do PT, reclamou dos R$ 902 que foram arbitrados para a sua indenização mensal. "Um documento da empresa em que trabalhava atesta que, se continuasse na profissão de promotor de vendas, teria um salário próximo a R$ 6 mil."Uma crítica recorrente dos indenizados é que as pesquisas de salários atuais - base para as prestações mensais - não levam em consideração a enorme diversidade de cargos. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, respondeu que esse procedimento evita pagamentos de valores muito altos.Desde o início da sessão, o presidente do colegiado procurou dissociar a idéia de que o julgamento teria a ver com a ação política de Lula. "Esclareço que o presidente e o ministro da Justiça jamais interferiram em questões da comissão", disse.

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