Compadre de Lula informa a CPI que não vai depor nesta 3ª

Intimado nesta segunda-feira pela Polícia Federal a depor amanhã na CPI dos Bingos, o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou à comissão três justificativas que, segundo ele, sustentariam a sua decisão de não comparecer ao Senado.Enviado por fax, o documento assinado por seu advogado, Cristiano Zanin Martins, afirma que não foi respeitado o prazo mínimo de 24 horas para ele atender à intimação. Afirma ainda que, como se submeteu a uma cirurgia cardíaca dia 18 de janeiro, Roberto Teixeira teria de passar por uma avaliação médica "a fim de aquilatar se o peticionário reúne condições de saúde para atender a intimação". A outra alegação é a de que ele não foi informado em que condições a CPI pretende ouvi-lo, "já que não realiza ou realizou nenhuma atividade que se insira no objeto de investigação da comissão".Dono da casaO relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que a reação de Teixeira para não depor já era esperada. "Ele impediu os procedimentos da Polícia Federal desde a semana passada", explicou. "Ficou claro que havia uma armação para favorecê-lo". Garibaldi lembrou que a comissão quer que Roberto Teixeira fale sobre a sua ligação com a Consultoria para Empresas e Municípios (Cpem).O advogado é conhecido como o "mecenas de Lula", por ser dono da casa onde o então sindicalista e família moraram por mais de 10 anos sem pagar aluguel. Teixeira foi acusado pelo ex-secretário de Finanças das prefeituras de Campinas e São José dos Campos Paulo de Tarso Venceslau de montar um esquema de contratos, sem licitação, com as prefeituras do PT para obter vantagem em cima de valores irreais da arrecadação do ICMS por intermédio da Cpem.Sua convocação foi aprovada em novembro. Na ocasião, antes mesmo de marcada a data de seu depoimento, foi divulgada a informação de que ele havia se internado em uma clínica para tratar da saúde. O requerimento convocando-o foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo no último dia 11, mas somente nesta segunda-feira os agentes conseguiram localizá-lo em seu escritório. A data de seu comparecimento só foi acertada após a acareação na CPI entre Venceslau e Paulo Okamotto. Segundo Venceslau, Okamotto teria se irritado quando ele denunciou a Cpem, alegando que a empresa deixaria de contribuir para a realização da segunda Caravana da Cidadania, como eram chamadas as viagens de Lula pelo País, em uma pré-campanha eleitoral à presidência da República.A comissão de investigação do PT que, em 1993, denunciou o esquema da Cpem, concluiu que "é impossível negar que Roberto Teixeira não soubesse da suspeita de fraude na atuação da Cpem em São José dos Campos e da possibilidade de que a fórmula de pagamento esboçada no contrato padrão firmado por esta empresa não pudesse qualificar um verdadeiro engodo para os prefeitos que receberam a sua indicação". O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou recurso de Teixeira na ação de cobrança de indenização contra o Estado, primeiro jornal a publicar a denúncia, em 1997. Ele também foi derrotado no pedido para que o jornal assumisse a obrigação de não mais publicar sua relação de compadrio com Lula.

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