?Como tenho fé, urucubaca não vai pegar"

Em cerimônia no Palácio do Planalto, diante de ministros e câmaras de televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje duas medidas provisórias ? uma corrigindo o valor das aposentadorias e pensões concedidas entre 1994 e 1997, e uma concedendo abono de R$ 100 no Imposto de Renda da Pessoa Física. Ele também sancionou a lei que reduz as alíquotas do PIS e da Cofins para alguns produtos da cesta básica.No discurso durante a solenidade, o presidente destacou recentes notícias positivas na economia, em seu discurso na cerimônia da assinatura das medidas provisórias sobre o Imposto de Renda da Pessoa Física e o acordo para pagamento de aposentados. Ele disse que essas notícias são o resultado do trabalho que foi feito desde a sua posse. "O que nós estamos colhendo hoje não foi plantado neste ano, foi em 2003", disse Lula. Ele enfatizou a criação de 1.000.034 empregos neste ano no setor privado, sem contar empregados domésticos e funcionários públicos, e destacou o crescimento da receita do turismo, que já registra superávit neste ano de US$ 400 milhões. Lula citou diversas medidas de apoio aos aposentados e idosos e disse que isso é uma amostra de que é possível fazer muito mais ao longo do governo. O presidente reafirmou sua convicção de que a economia do País crescerá este ano: "Tenho convicção que este ano já está ganho. O crescimento da economia no segundo semestre talvez seja melhor do que no primeiro e já estamos nos preparando para 2005".Na visão do presidente, o País deve iniciar 2005 assim como a Seleção Brasileira de Futebol iniciou o segundo tempo do jogo contra o Uruguai esta semana, marcando um gol logo no primeiro minuto. Urucubaca O presidente ressaltou que ainda existem pessoas no Brasil que torcem para que o governo não consiga atingir seus objetivos. "O que não falta neste País é gente torcendo para que não dê certo. Mas, como tenho fé, urucubaca não vai pegar."Lula disse ainda que o desafio do momento é não permitir que o clima de euforia desencadeie um processo que faça com que o governo acredite que tudo já está resolvido e comece, a partir daí, a gastar mais do que pode arrecadar. O presidente ressaltou que o tratamento dado por sua equipe ao dinheiro público é o mesmo do trabalhador assalariado. "Seremos duros no controle dos gastos, mas justos na elaboração de nossas políticas sociais", afirmou.Palocci assim como a senhora sua mãe O presidente comentou ainda que todas as vezes que pensa em "ficar bravo" com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ele sempre lembra de sua mãe. "Ela era dura. E quando eu ia pedir dinheiro, ela não dava o que eu queria, mas o que podia dar." Ao concluir o seu discurso, o presidente se dirigiu aos representantes de aposentados que participavam da solenidade e disse que a solução encontrada para o pagamento da correção das aposentadorias foi "a possível" para o governo. "Estamos pagando da forma que é possível, porque não podemos inventar recursos."

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