Como previsto, CPI não indicia ninguém e poupa Dilma

Sem grandes avanços, comissão criada para investigar mau dos cartões aprova relatório de petista

da Redação

05 de junho de 2008 | 12h36

A CPI dos Cartões Corporativos  terminou nesta quinta-feira, 5, como previsto, sem pedir indiciamento de ninguém, poupar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, após votação do relatório do deputado petista Luiz Sérgio (RJ). Foram 14 votos a favor e 7 contra.  Como foi aprovada a proposta do relator, o relatório em separado da oposição, que sugere o indiciamento de 33 pessoas, não foi apreciado.  Veja também:Dilma mentiu sobre dossiê, diz presidente da CPI dos CartõesVeja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Teste seus conhecimentos: quem diz o que sobre o dossiê  A presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), fez agradecimentos ao seu partido e encerrou os trabalhos da comissão por volta das 12h30. "Essa CPI era para dar exemplo, para que a sociedade tenha uma visão positiva desta Casa. Mas deixamos isso passar", criticou.  Marisa disse que sai da CPI com "sentimento dividido". Tenho certeza que o governo federal vai ter um cuidado maior com uso dos cartões corporativos, suprimento de fundos. Mas ao mesmo tempo, queria ter aprofundado as investigações, e não conseguimos fazer isso", lamentou.  Em 139 páginas de relatório, fora os anexos, Luiz Sérgio não reconhece sequer a existência de irregularidades com o uso do cartão corporativo. Ele se refere às irregularidades como "equívocos", "problemas" e "utilização inadequada". O relator aproveitou para listar o nome de cinco ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso que, segundo Luiz Sérgio, cometeram irregularidades com o uso de recursos das chamadas contas Tipo B.  De dois deles, (Raul Jungmann e Francisco Welffort), Luiz Sérgio pede que eles devolvam aos cofres públicos o dinheiro gasto irregularmente. Ao final do relatório, o relator apresentou proposta para a melhoria do uso do cartão corporativo e defendeu o restabelecimento de pagamento de diárias aos ministros de Estado, que perderiam o direito do cartão corporativo. Relembre o escândalo  A comissão foi criada em 21 de fevereiro, com o objetivo de investigar o mau uso dos cartões corporativos por membros do Governo Federal. A crise levou Matilde Ribeiro a pedir demissão da pasta de Igualdade Racial, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, ter apontado a ex-ministra como líder no ranking dos ministros que mais gastaram nos dois últimos anos.  Em 22 de março, a revista Veja trouxe reportagem dizendo que o governo teria preparado um dossiê sobre gastos de Fernando Henrique Cardoso para intimidar tucanos na CPI. A denúncia provocou uma série de negativas do Planalto e acirrou os ânimos na comissão, que cobrou a quebra de sigilo de Lula e a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.  Na mesma semana, o braço direito de Dilma, a secretária-executiva, Erenice Guerra, é apontada como responsável pela execução do dossiê. A ministra nega o dossiê, mas admite que foi feito um banco de dados de caráter oficial. No dia 7 de maio, Dilma foi  à comissão de infra-estrutura do Senado e falou sobre o dossiê com gastos do ex-presidente FHC e sobre o PAC. A ministra-chefe da Casa Civil disse que 'se descobriu vítima' do caso dossiê e que os dados revelados por jornais são 'irrisórios'.  Em seguida, a CPI ouviu o ex-assessor da Casa Civil José Aparecido Nunes, acusado de vazar o dossiê.    

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