DENISE ANDRADE - AE
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'Como pedir sacrifícios às pessoas quando elas estão indignadas com a corrupção?', diz Gilmar Mendes sobre aumento de impostos

Para ministro do STF, não há como falar em alta de carga tributária em um cenário de crise econômica e política

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 10h28

SÃO PAULO - A constatação de que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) não vai conseguir cobrir o rombo orçamentário apenas com cortes de gastos, sendo necessária, portanto, a criação de novos tributos, foi duramente questionada na manhã desta segunda-feira, 14, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em evento na capital, ele disse que não há como falar em aumento de impostos quando as pessoas estão indignadas com o aumento da corrupção.

"Estamos diante de uma situação delicada, com adensamento da crise econômica, e para enfrentá-la é preciso um consenso político básico que ainda não existe. Se não há credibilidade para conduzir conversas entre contrários, não se avança sobre a grave crise econômica", afirmou. "Como falar em aumento de impostos neste contexto geral? Como pedir sacrifícios às pessoas quando elas estão indignadas com a corrupção?", questionou o ministro.

"O governo está em xeque de novo e se fala em necessidade de reforma política. Não vamos fazer reformas mais profundas neste contexto de crise", disse o ministro do STF no Seminário "Saídas para a Crise", em um painel que discute política e os rumos das mudanças.

Participaram da abertura do evento, na manhã desta segunda-feira, além de Gilmar Mendes, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, o deputado e presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), e o presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, entre outros. O seminário é promovido por OAB-SP, Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Instituto de Estudos Avançados da USP e TV Cultura. 

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