Como parecer amigo do presidente por R$ 30

Por uma fotomontagem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, R$ 30. Caro? Não para dezenas de prefeitos, vice-prefeitos, assessores e vereadores, que viram ali o valor inestimável de um material de campanha. Tudo bem, era apenas uma montagem. Mas um assessor de prefeito deixou claro do que se tratava: "A gente escaneia e põe no jornal, como o povo vai dizer que não é?"Do lado de fora do centro de convenções que reuniu, nos dois últimos dias, milhares de pessoas de todos os cantos do País, uma pequena empresa de fotografia digital encontrou uma "mina de ouro": montou um estande oferecendo montagens de fotos com Lula de um lado e Dilma de outro. Bastava o candidato pagar, tirar uma foto com fundo branco e três minutos depois saía com o futuro material de propaganda nas mãos: sua imagem impressa entre o presidente e a ministra.Na fila, os candidatos a amigos de Lula e Dilma vinham de todos os partidos, até da oposição. Alguns, mais constrangidos, afirmavam que usariam a foto apenas para guardar como lembrança do encontro em Brasília. A maioria, no entanto, admitia sem pudores que faria uso político da foto.O prefeito de Timbiras (MA), Raimundo Nonato Pessoa (PT), achou uma boa justificativa: "Na eleição meus adversários diziam que eu era do partido do presidente, mas não tinha relação com ele, que não ia adiantar nada ser eleito. Estou levando para provar." Aparecida Panissaet, prefeita de São Gonçalo (RJ), contou que vai usar a foto em campanhas de divulgação em seu município. "Somos da base, precisamos mostrar que temos o apoio do presidente", disse a prefeita, que é do PDT.Antes de tirar a foto, as perguntas eram várias: se podia ampliar para fazer um banner ou outdoor, se dava para tirar a foto abraçando Lula e Dilma - impossível, já que na montagem só cabia o fotografado entre os dois -, se a foto da ministra era anterior ou posterior à plástica (o fotógrafo garantia que era recente).Um dos assessores do prefeito Glimaldo Paiva, de Três Pontas (MG), já fazia planos: "Se a gente coloca no jornal ninguém vai perceber que é montagem". Isso apesar de o recorte um pouco desastrado do cabelo da ministra e do braço do presidente darem sinais de que a amizade fotografada não era nada verdadeira.A empresa, de Goiânia, é especialista em vender fotomontagens em festas, convenções, feiras e encontros. O dono, Silvano Júnior, diz que não é a primeira vez que faz montagens com o presidente. Sempre tem sucesso.

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