''Como homem de partido, sigo a decisão partidária'', diz Alckmin

Candidato tucano derrotado à prefeitura sinalizou que deve apoiar Gilberto Kassab, do DEM, no segundo turno

Roldão Arruda, Silvia Amorim e Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai apoiar no segundo turno o nome que o seu partido indicar. "O segundo turno é uma decisão partidária", afirmou. "Como homem de partido vou seguir a decisão partidária, como sempre fiz nesses mais de 20 anos de PSDB."Alckmin só se manifestou quando passava das dez horas da noite e com mais de 80% dos votos apurados. Ele fez uma declaração oficial no salão de festas do edifício onde mora, na região do Morumbi. Acompanhado pela mulher, Lu Alckmin, e alguns líderes tucanos, não quis responder a perguntas dos jornalistas. A assessoria do candidato havia marcado a entrevista para um hotel no bairro da Liberdade, na região central da cidade. Um salão foi decorado com faixas e balões com as cores azul e amarelo. No início pensava-se que seria ali a festa da "virada", com Alckmin no 2.º turno.MELANCÓLICOMais tarde acreditava-se que militantes tucanos se reuniriam ali para ouvir um discurso de agradecimento. Mas, logo no início da apuração, com o salão melancolicamente vazio, os jornalistas foram informados que Alckmin não deixaria sua casa.Um dos tucanos que estiveram no apartamento do Morumbi foi o presidente do diretório municipal do partido, José Henrique Reis Lobo. Ele defendeu o apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno. "Vamos discutir o assunto no partido - e eu vou defender o apoio ao Kassab", afirmou.O dirigente culpou o pouco tempo de propaganda do tucano no horário eleitoral, em comparação a seus adversários, pela derrota. "Isso foi absolutamente fatal", enfatizou.Também estavam ao lado de Alckmin, no momento em que fez sua declaração, os tucanos Antonio Carlos Mendes Thame, o presidente estadual do partido; José Aníbal , deputado federal; Edson Aparecido, deputado estadual e coordenador da campanha; e João Carlos Meirelles, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo estadual.Alckmin iniciou o pronunciamento agradecendo a todos que votaram nele. Também fez questão de enfatizar que a derrota não o tira da política: "Não foi a minha primeira eleição, nem será a última."GRITOSAlckmin votou às 10h50 no Colégio Santo Américo, no Morumbi, zona sul. Foi recepcionado por militantes com gritos de "segundo turno, segundo turno" e seguiu de mãos dadas com a mulher até a 49ª seção eleitoral. Os filhos Sophia e Thomaz também acompanharam o tucano na votação. Alckmin levou nove segundos para registrar seu voto. Ao final, posou para os fotógrafos ao lado da urna fazendo o "V" de vitória. Pela manhã, fez um breve pronunciamento ainda no colégio.Depois de uma agenda intensa durante toda a semana, Alckmin ainda foi às ruas ontem para um último apelo ao eleitorado. Assim que deixou o Colégio Santo Américo, seguiu em carreata até a favela Paraisópolis, no Morumbi. Percorreu as ruas estreitas, distribuiu beijos e apertos de mão e parou numa padaria para um café com assessores e correligionários.Ele passou toda a tarde no apartamento com a família. A única visita que recebeu no período foi a da filha Sophia. Os aliados só começaram a chegar no começo da noite.FRASESGeraldo AlckminCandidato do PSDB "Não foi a minha primeira eleição, nem será a última"José Henrique Reis Lobo Presidente do Diretório Municipal do PSDB "O pouco tempo eleitoral foi absolutamente fatal"

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