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Estado e grandes empresas devem ajudar a preservar empreendedores, dizem executivos

Painel da Brazil Conference teve participação de Artur Grynbaum, presidente do grupo Boticário, Eduardo Mufarej, criador do RenovaBR, e Fabio Barbosa, sócio-conselheiro da Gávea Investimentos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 18h56

As grandes empresas devem atuar junto ao Estado na preservação dos pequenos e médios negócios do País durante a crise do novo coronavírus, avaliam executivos em painel da Brazil Conference at Harvard & MIT desta segunda-feira, 4. O evento anual da comunidade de estudantes brasileiros em Boston acontece por videoconferência e conta com cobertura exclusiva do Estado.

Criador do RenovaBR, Eduardo Mufarej teme que a crise custe toda uma geração de empreendedores no País e atrase o processo de recuperação da economia. "Não temos visto medidas de estímulo econômico chegando na pequena e média empresa, o que nos preocupa." Por conta desse contexto, ele idealizou o Estímulo 2020, movimento que atua na captação e distribuição de recursos financeiros através de empréstimos simples e de baixo custo para pequenos e médios empreendedores.

Para o empresário, é importante preservar minimamente o presente para que o futuro não seja ainda mais difícil. E as grandes empresas podem ajudar. "Estamos vendo em empresas uma agilidade que não vemos no setor público", diz Mufarej ao citar a criação de hospitais de campanha. "A iniciativa privada tem, sim, um papel. E temos colocado historicamente a responsabilidade do lado do Estado." 

Em um cenário de desafios sem precedentes, ele diz que o Brasil pode aproveitar a oportunidade para resolver problemas estruturais e se tornar até um hub para investimento de impacto.

Artur Grynbaum, presidente do grupo Boticário, avalia que os propósitos, convicções e valores das empresas estão sendo colocados à prova na pandemia. Ele diz que há diversos grupos trazendo uma agenda de inovação e inspiração para ajudar a sociedade a passar pela pandemia. 

Essencial para sair da crise, ele afirma que as grandes empresas precisam preservar os empregos. Exemplo de iniciativa é o #CompredoBairro, movimento de líderes empresariais para incentivar a compra em pequenos varejos dos bairros e ajudar na sustentação dos empreendedores.

“É um movimento que busca privilegiar o pequeno varejista, que realmente vai ser bastante afetado na crise. Vai de questões voltadas à capacitação ao acesso à informação e digitalização”, conta o CEO. 

Fabio Barbosa, sócio-conselheiro da Gávea Investimentos, se diz satisfeito com a mobilização das empresas durante da crise do coronavírus. "As empresas estão reagindo, têm tido solidariedade e isso é muito importante." Membro do conselho de diversas empresas, ele afirma que é preciso olhar para os cuidados dos funcionários em casa e para as ações feitas em função da crise.

A conversa desta segunda teve a mediação de Sonia Favaretto. É possível acompanhar todas as discussões da 6ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT no portal estadao.com.br, nas redes sociais Twitter e Facebook e no canal do Estado no YouTube.  

Veja a programação:

Como empresas podem contribuir com a sociedade, 4/5, 19h 

Artur Grynbaum, Eduardo Mufarej, Fabio Barbosa e moderado por Sonia Favaretto 

A pandemia e os dilemas éticos da sociedade brasileira, 5/5 às 15h

Mário Sergio Cortella, Silvio Almeida e Viviane Mosé, moderado por Nathalie Gazzaneo (Mestrado Harvard)

Como nos tornarmos um Estado reformista?, 5/5, 19h

Rodrigo Maia, Paulo Hartung, Marcos Mendes e moderado por Eliane Cantanhêde 

Ética em tempos de pandemia, 6/5, 19h 

Michael Sandel (Filósofo e Professor de Harvard) entrevistado por Pedro Bial

Os desafios dos Estados na Crise, 7/5, 19h

João Doria (SP), Helder Barbalho (PA), Renato Casagrande (ES), Flavio Dino (MA, a confirmar) e moderado por Andreza Matais

Estudo da desigualdade econômica e impacto do Covid-19, 8/5, 17h

Michael Kremer (Prêmio Nobel de Economia em 2019)

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