Como Dilma, Aécio se diz nacionalista

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), assumiu hoje a posição de nacionalista ao defender o papel da Cemig como estatal. "Sou um nacionalista, e digo isso com absoluta clareza, não apenas no discurso, na prática. Porque empresas públicas bem geridas podem cumprir seu papel econômico, como a Cemig cumpre, como a Copasa cumpre com excelência, e também responder pelos seus desafios sociais."

RAQUEL MASSOTE, Agencia Estado

18 de setembro de 2009 | 21h02

Após o lançamento do Programa Minas Digital, o governador mineiro enfatizou que uma empresa não precisa ser ineficiente por ser estatal. "Ela pode ser ineficiente se for mal gerida, se for aparelhada politicamente. Então, acho que o PSDB tem bons exemplos para enfrentar esse discurso."

Hoje, em Sapucaia do Sul (RS), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao defender a nova regulamentação proposta para explorar a camada de petróleo do pré-sal, disse que não há "demérito em ser nacionalista". "Agora, com o pré-sal, vêm e nos acusam: o modelo de vocês é nacionalista, é estatizante", afirmou. "A elas (acusações), nós devemos responder o seguinte: se por modelo nacionalista é aquele que vê no pré-sal uma forma de pegar esta riqueza do petróleo e utilizá-la para a população, para o desenvolvimento do Brasil, para assegurar que o Brasil tenha, de fato, soberania sobre seus recursos naturais, sim nós somos nacionalistas."

Privatista

Aécio apontou que na última campanha eleitoral houve a tentativa de colar no PSDB a marca de privatista. "Acho que Minas ajudará para que essa pecha de privatizante não cole no PSDB porque o que tinha que ser privatizado foi privatizado e o que existe sob o controle do Estado tem de ser fortalecido", concluiu.

As declarações do governador mineiro ocorreram no mesmo dia em que o fundo de investimento 524 Participações, controlado pelo banco Opportunity, divulgou que o consórcio Southern Electric Brasil (SEB) firmou acordo para vender sua participação na Cemig à Andrade Gutierrez. Pelos termos do negócio, a Andrade pagará US$ 25 milhões pela fatia da SEB na estatal, que representa 32,96% do capital votante e 14,41% do capital total, e assumirá integralmente a dívida da SEB com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Opportunity é acionista minoritário da SEB, cujo controlador é a americana AES.

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