Como adversários, vamos à guerra, avisa FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evitou falar sobre eleição presidencial deste ano, ao participar de evento no Memorial da América Latina, no qual proferiu palestra. Apesar de ter argumentado que o fórum não era adequado para tratar de temas conjunturais, como eleição, mas provocado por debatedores, não resistiu: "Como adversários, vamos à guerra". Para o ex-presidente, os episódios políticos que trouxeram à tona o escândalo do mensalão foram "traumáticos" para a sociedade brasileira, mas as lições extraídas até o momento foram "pequenas". O ex-presidente apontou, entre as lições que o escândalo do mensalão deveria trazer ao País, a reforma do sistema político-partidário e do próprio sistema eleitoral brasileiro. "Precisamos mexer no sistema eleitoral. Está na hora das lideranças enfrentarem com força essas questões. Precisa haver coragem."Embora tenha se apressado em dizer que não detalharia quais mudanças entende serem necessárias no processo de reforma, Fernando Henrique justificou sua posição alegando que, entre outras conseqüências, a crise política poderia resultar em "deslegitimar" lideranças políticas e partidos. Ele alertou para os riscos de haver inclinação para o populismo das lideranças.Fernando Henrique defendeu o mesmo raciocínio do ministro da fazenda, Antonio Palocci, ao indicar a necessidade do País realizar um acordo social, de forma a garantir o desenvolvimento da nação, promovendo simultaneamente a inclusão social. Segundo ele, mesmo a alternância de poder entre PSDB e PT demonstrou que há espaço no País para a formação de convergências dentro da sociedade, capazes de promover este acordo social.Ao admitir essa hipótese, o ex-presidente aproveitou para criticar indiretamente seus opositores e desgostosos com a política econômica aplicada no País há mais de uma década. "Os louros que colhem hoje são os plantados antes e não há disposição da atual administração em podar essa árvore", disse Fernando Henrique, acrescentando que essa constatação acontecia mesmo a despeito daqueles que criticaram o governo dele.

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