Valdenio Vieira/PR
Valdenio Vieira/PR

Como a tensão com governadores do Nordeste pode impactar a oposição a Bolsonaro?

Dificuldade de separar discurso eleitoral inflamado e a liturgia que a função presidencial reclama pode, sim, ser a gênese de um sentimento na oposição capaz de superar as diferenças

Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 14h34

O governo Bolsonaro continua sendo o principal fomentador das crises que vivencia. São, portanto, as declarações de Bolsonaro, familiares ou de seus ministros que trazem problemas, muitas vezes, desnecessários à condução de suas ações políticas. A mais recente foi ter chamado, de forma preconceituosa e estigmatizada, os governadores da região Nordestes de “paraíbas”.

Sabidamente, a região é a mais oposicionista ao atual governo, e os nove governadores, em carta, fazem críticas a Bolsonaro, com Flávio Dino (PCdoB) e Rui Costa (PT), do Maranhão e da Bahia, respectivamente, assumindo destaque no episódio. Pode esse evento despertar a adormecida oposição das esquerdas e unificar o enfrentamento político em relação ao governo? Por enquanto, é pouco provável.

O PT, derrotado em 2018, à frente, tem a desvantagem de ecoar o slogan “Lula Livre” e, com isso, afasta, por exemplo, o entendimento com Marina Silva e Ciro Gomes. Ambos – Marina e Ciro – pareciam se encaminhar para uma oposição que não orbitasse em torno do PT, mas pouco se viu de mais efetivo para além das falas de Ciro, sempre ácidas, e de posicionamentos nas redes sociais de Marina.

A dificuldade de Bolsonaro de separar discurso eleitoral inflamado e a liturgia que a função presidencial reclama pode, sim, continuar a gerar crises e, com isso, a gênese de um sentimento na oposição capaz de superar as diferenças e se unir em torno de um enfrentamento mais programático. Para isso, contudo, faz-se necessário que as lideranças oposicionistas consigam dialogar e construir uma agenda comum.

*Rodrigo Augusto Prando é cientista político e professor na Universidade Mackenzie, de São Paulo.

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