Comitiva de Obama aumenta expectativa

Presença de secretários importantes sinaliza intenção da Casa Branca de intensificar as relações de comércio entre EUA e Brasil

Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S. Paulo

15 de março de 2011 | 23h00

WASHINGTON - A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos vê na visita do presidente americano, Barack Obama, o ponto de partida para uma futura relação estratégica nas áreas petrolífera e de produção agropecuária e para a absorção de alta tecnologia dos EUA pela indústria brasileira.

 

A expectativa do meio empresarial se justifica pela comitiva que acompanhará o presidente dos EUA. Obama viajará com os secretários de Comércio, Gary Locke, de Energia, Steven Chu, e do Tesouro, Timothy Geithner, além da diretora da Agência de Proteção Ambiental, Lisa Jackson, do representante dos EUA para o Comércio, Ron Kirk, e do presidente do Export-Import Bank, Fred Hochberg.

 

A Casa Branca vincula sua perspectiva de criar relação econômico-comercial mais intensa entre EUA e Brasil ao ambiente gerado pela sucessão presidencial no País.

 

Questionado sobre o desgaste provocado pela atuação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) na questão nuclear do Irã, no ano passado, o conselheiro-adjunto para Assuntos Econômicos Internacionais da Casa Branca, Mike Froman, desconversou. "Não vou comentar sobre o Irã", afirmou. "Vou só dizer que a eleição da presidente Dilma Rousseff nos deu uma oportunidade de abordar o novo governo e de ter certeza de que nós estamos caminhando para um bom começo na área econômica e em outras áreas."

 

Froman acentuou a relação entre a visita Obama ao Brasil e a necessidade de recuperação econômica mais forte dos Estados Unidos via aumento de exportações. Conforme afirmou, os embarques de produtos americanos ao Brasil cresceram 35% em 2010, e responderam por 25 milhões de postos de trabalho no país.

 

Froman não mencionou o fato de os Estados Unidos terem sido recentemente ultrapassados pela China como maior parceiro comercial do Brasil.

 

Comitiva. Por tradição, os presidentes americanos raramente levam consigo os secretários em suas visitas ao exterior. Nos cinco eventos empresariais agendados em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, os focos serão as possibilidades de negócios nos setores de energia (petróleo e biocombustíveis), de infraestrutura (obras para a Copa do Mundo, Olimpíada de 2016) e de serviços financeiros, para financiar todos esses projetos. Entre as empresas americanas confirmadas nesses encontros estão o Citibank e a construtora Aecom.

 

Kirk será o único secretário a permanecer no Brasil, depois da partida de Obama para o Chile, para conduzir dois eventos em São Paulo no dia 21: na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e na sede da Câmara de Comércio.

 

O meio empresarial trabalha ainda com a perspectiva inusitada de início de negociação bilateral sobre o livre comércio nos próximos anos. "A ausência de acordos bilaterais significativos a serem assinados em Brasília não quer dizer que a visita será irrelevante", afirmou Gabriel Rico, presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, referindo-se à passagem de Obama ao Brasil nos dias próximos 19 e 20. "Os dois presidentes vão criar um novo ambiente para a relação bilateral e para os negócios. Será histórico."

 

Caças. O principal lobby do presidente americano em Brasília será em favor da escolha dos caças F-18 Super Hornet, da Boeing, pela Força Aérea Brasileira (FAB) no processo de compra FX2. O presidente da companhia, Jim McNerney, deverá acompanhar a visita de Obama, que terá a oportunidade de tratar do tema em três encontros com Dilma Rousseff no sábado. Tanto o governo quanto o setor empresarial americano entenderam a decisão de Dilma de suspender o FX2 neste ano, por razões orçamentárias, como um meio de desfazer o acordo de setembro de 2009 com a França.

 

Obama tem a seu favor a necessidade da indústria brasileira de absorver de novas tecnologias - algo a ser proporcionado em algum grau por uma possível joint-venture entre Embraer e Boeing para a fabricação dos caças no Brasil. Na Câmara de Comércio, a expectativa é de a Casa Branca oferecer uma transferência mais ampla de tecnologia, de forma a contentar o Brasil, e negociar com o Senado americano um meio de restringir sua interferência no contrato. Uma alternativa seria o uso da mesma base legal para os acordos de venda de armas dos EUA para o Egito, a Arábia Saudita, Israel e Taiwan, renovados periodicamente pelo Senado.

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