Comitiva de Bush será recebida por Itamaraty dividido

O presidente americano, George W. Bush, e sua comitiva, de nove aviões, uma multidão de seguranças e alguns secretários importantes, chegarão ao Brasil, no dia 8 de março, num momento em que o Itamaraty exibe uma clara divisão interna.De um lado, estão diplomatas alinhados com o chanceler Celso Amorim e com suas prioridades. De outro, os que, em silêncio, concordam com as acusações feitas pelo ex-embaixador nos EUA Roberto Abdenur, de que a cúpula do Ministério das Relações Exteriores pratica um antiamericanismo prejudicial aos interesses do Brasil.Para o professor Gilberto Dupas, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) da USP, essa discussão não leva a nada. Ele prefere ver nas iniciativas brasileiras um aproveitamento de oportunidades surgidas, no cenário mundial, após o ataque às torres gêmeas, em 2001, e a invasão americana no Iraque - embora concorde que "há riscos em se aceitar a Venezuela no Mercosul" do modo como foi feito."Se houve algum mérito, foi perceber esse vazio", afirma Dupas. "Com suas iniciativas a partir de 2001 o governo Bush abriu espaço para uma certa crítica à sua política externa. Esse espaço tem sido aproveitado também por países mais importantes." A tática seria, no caso, "avançar um pouquinho, obter algum tipo de vantagem, mas sem criar atritos".Um famoso diplomata americano, John Foster Dulles, costumava dizer que "não há países amigos, há países com interesses comuns". Com base nisso, o governo dos EUA admite conviver com o eventual antiamericanismo de alguns setores do Itamaraty, se, na prática, o Brasil ajudar no esforço para deter os movimentos do venezuelano Hugo Chávez na região."Trazer" a Venezuela para dentro do Mercosul "é um jogo de riscos e oportunidades. O preço é ter que agüentar Chávez", observa Dupas. No Mercosul, ele pode ficar com menos espaço. Se isso for bem executado, o Brasil "tem novas chances de posar como amigo dos EUA".

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