Ueslei Marcelino / Estadão
Ueslei Marcelino / Estadão

Comitê de crise vira tentativa de blindar Bolsonaro; leia análise

Ao invés de ser uma reunião de trabalho, com operacionalidade, encontro se transformou em uma política de preservação do presidente

Vera Chaia*, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 18h09

Foi realizada nesta quarta-feira, 24, uma reunião no Palácio da Alvorada com os chefes dos 3 poderes. Neste encontro também estiveram presentes vários ministros do governo Bolsonaro que tiveram a função de blindar o presidente. Ao invés de ser uma reunião de trabalho, com operacionalidade, se transformou em uma reunião política de preservação do presidente. Foram discutidas estratégias para combater a pandemia e a necessidade da formação do Comitê Anti Covid. Foi uma reunião tardia, após 1 ano da pandemia, e com 300 mil mortos e com a troca de 4 ministros da saúde.

A atuação controversa do presidente, minimizando a covid-19, desqualificando as vacinas, o distanciamento social e o lockdown gerou uma reação em cadeia de empresários, banqueiros, economistas, que cobraram uma atitude efetiva do governo federal no combate à pandemia. A negação da pandemia e da gravidade do coronavírus provocou uma queda da popularidade de Bolsonaro, mas os bolsonaristas (25% a 30% do eleitorado brasileiro) acreditam que a culpa da pandemia é dos governadores e prefeitos, como o presidente se defende. Segundo Bolsonaro, o STF não o deixou combater a pandemia, o que é uma mentira, pois foi por causa da falta de atuação do Executivo federal que o Supremo autorizou que os outros poderes trabalharem no combate à pandemia.

Após o discurso de Lula no dia 10 de março último, que criticou abertamente Jair Bolsonaro, principalmente no tocante ao enfrentamento da pandemia no Brasil, o presidente amenizou sua fala e contemporizou a sua visão negacionista, aceitando recomendações de sua equipe governamental. Ele apareceu num evento de compra de vacinas usando máscara e defendendo a vacinação, mas não negando a importância de remédios, como a cloroquina, que são condenadas pela Organização Mundial da Saúde. 

Após a reunião, todos os ministros e lideranças presentes desceram a rampa do palácio e fizeram seus pronunciamentos. Bolsonaro, na sua fala, novamente confirmou a necessidade do tratamento precoce, com o uso de medicamentos condenados para o tratamento da covid. Bolsonaro não vai mudar. 

*PROFESSORA DE POLÍTICA DA PUC-SP

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