Joja Madruga|Futura Press
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Comissão se torna reduto de ‘resistência’ petista no Senado

Colegiado presidido por Gleisi Hoffmann (PT-PR) tem incomodado o governo com audiências sobre a PEC do Teto

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2016 | 06h00

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado se tornou o último reduto de resistência da oposição petista no Senado. O PT conta com quatro integrantes no colegiado, incluindo a presidência do grupo, com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) – resquício do tempo em que o partido, no comando do governo, ainda dava as cartas na divisão de cargos na Casa.

A comissão tem incomodado o governo ao organizar audiências públicas sobre a PEC do Teto, principal projeto da equipe econômica do presidente Michel Temer para ser aprovado no Congresso neste ano.

Já aprovada pela Câmara e com ampla adesão da base aliada de Temer, a PEC seguiu para o Senado. Apesar de a proposta não tramitar na comissão comandada pela petista, a senadora afirmou que, até o fim do ano, não pretende colocar outras matérias em votação e que vai usar o colegiado para debater o limite dos gastos públicos. "Não vejo como ter outra pauta que não seja essa. Não tem nada mais importante para a CAE do que discutir essa PEC", afirma. Nesta quinta-feira, 3, a comissão vai realizar a quarta audiência sobre o tema.

'Palanque'. O senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) acusou Gleisi de usar a comissão como "palanque da minoria". De acordo com ele, a presidente do colegiado alterou o tema da audiência que deveria tratar de tributação progressiva, para "Progressividade tributária: uma alternativa à PEC 241/2016". "A senadora milita para obstruir o saneamento da economia e tenta usar a CAE como extensão do diretório do PT para manipular a opinião pública", disse.

Gleisi nega usar a comissão para fins partidários e disse que tem agido democraticamente na distribuição da pauta e de relatorias. Reservadamente, senadores da base reconhecem que, apesar do incômodo, a condução da petista não deve atrapalhar a tramitação de matérias de interesse do governo, que podem ser distribuídas para comissões especiais e desviadas da CAE. A ordem é evitar o desgaste e esvaziar a comissão.

Mas, mesmo com o esvaziamento, Gleisi mantém a agenda contra a PEC do Teto na CAE. Apenas parlamentares contrários à proposta participam dos debates. A senadora, por sua vez, argumenta que porta-vozes do Ministério da Fazenda foram convidados, mas não compareceram. "Acho uma pena que o governo não queira discutir e lamento que a base tenha ficado ausente dessa discussão", afirma Gleisi. 

Líder do PMDB, o senador Eunício Oliveira (CE) preferiu não intervir publicamente na disputa, mas alega que falta pouco tempo para que o problema seja “consertado”. A presidência do PT à frente da comissão termina em fevereiro, quando os cargos em comissões devem ser redistribuídos. O PT, que perdeu membros da bancada neste ano, vai perder também o direito à presidência, a segunda mais importante do Senado.

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