Comissão representativa não atinge quórum

Deu a lógica na reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional. Nenhum requerimento pôde ser votado porque não havia quórum para a abertura dos trabalhos. Dos 17 deputados que integram a Comissão, apenas oito apareceram. Entre os senadores, somente Arlindo Porto (PTB-MG) furou o boicote, mesmo assim em solidariedade ao correligionário Nilton Capixaba (PTB-RO), vice-presidente da Comissão e autor da convocação.Senadores e deputados ficaram mais preocupados em visitar as suas bases eleitorais nos Estados ou curtir o final das férias do que vir para Brasília cinco dias antes do fim do recesso. O desprestígio é tanto que o senador Valmir Amaral (PMDB-DF), titular da Comissão, não quis nem ficar em Brasília e viajou, mas o gabinete não soube dizer para onde. A senadora Heloísa Helena (PT-AL) está em uma missão com a Marinha, de malas prontas para ir para Antártida fazer pesquisas científicas. "Isso era esperado, todo mundo entra na Comissão mas, na hora que precisa, todos estão viajando", criticou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (PT-BA). "Os senadores deveriam saber que não se pode paralisar os trabalhos do Congresso por conta apenas do desejo de uma das Casas". O líder defende que seja elaborado um calendário de reuniões ordinárias durante o recesso, para evitar essa queda de braço todo mês de julho. "Quem quiser participar da Comissão saberá que não vai ter férias no meio do ano". O único senador que apareceu na ameaça de reunião foi Arlindo Porto. Mas por lealdade partidária e não, ideológica, já que ele também defende que o presidente da Comissão Representativa é o presidente em exercício do Senado, Edison Lobão (PFL-MA). "Estou presente para prestigiar o vice-presidente, Nilton Capixaba, que é do meu partido", justificou. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), declarou que não existe uma situação emergencial para que a Comissão seja convocada. "Tudo o que podia ter sido feito em relação ao caso do senador Jader foi feito, inclusive a licença dele da presidência". O deputado Nilton Capixaba garante que não ficou frustrado com o resultado da reunião convocada por ele. E ainda acha que a sua atitude foi importante para marcar posição. "A população está exigindo um resposta, eu não poderia ficar sentado em cima desses requerimentos sem fazer nada".

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