Comissão que apura negócios do BNDES quer ouvir Bumlai

Pecuarista amigo de Lula deve comparecer à CPI para falar sobre um empréstimo contraído com o banco em 2012

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2015 | 03h00

BRASÍLIA - O pecuarista José Carlos Bumlai deve prestar depoimento nesta terça-feira, 24, na CPI do BNDES sobre suspeitas de que uma de suas empresas recebeu empréstimo do banco mesmo com dívidas. Pessoas próximas a ele afirmaram ontem que o empresário vai comparecer à oitiva.

Uma usina de Bumlai, em Dourados (MS), teria recebido do BNDES empréstimo de R$ 101,5 milhões em 2012 após ter pedido falência à Justiça um ano antes. Além de ouvir o pecuarista, deputados querem ter acesso aos contratos do empréstimo feito pelo empresário, amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banco diz que o empréstimo foi regular. A CPI do BNDES investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição entre 2003 e 2015, relacionadas à concessão de empréstimos.

Lava Jato. Bumlai também aparece nas investigações da Operação Lava Jato. O delator Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás, disse à Procuradoria-Geral da República que trabalhava para que a empresa OSX participasse de contratos da Sete Brasil com a Petrobrás para exploração do pré-sal. Para isso, ele disse que pediu ajuda a Bumlai. Os negócios não foram adiante, segundo Baiano. Mesmo assim, segundo ele, Bumlai cobrou comissão de R$ 3 milhões. O pecuarista teria dito a ele que o valor seria destinado a uma nora de Lula.

A força-tarefa da Lava Jato apura ainda se existe relação entre suposta dívida de R$ 60 milhões da campanha de reeleição de Lula, em 2006, com o Grupo Schahin e o empréstimo de R$ 12 milhões feito pelo banco do grupo, em 2004, para o pecuarista. Segundo delatores da operação, contrato de US$ 1,6 bilhão da Petrobrás foi dirigido em 2011 para a Schahin, com intermediação de Bumlai e Baiano, como forma de compensar o grupo pela dívida eleitoral.

Bumlai nega irregularidades e diz não ter qualquer relação com o esquema de corrupção na Petrobrás. Ele classificou as informações ligando seu nome ao caso investigado na Lava Jato de “ilações inverídicas”. 

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