Comissão não vota convite para filho de Alckmin ir à Assembléia

Em reunião tumultuada por sindicalistas bancários e pessoas ligadas ao PT, a Comissão de Finanças e Orçamento não conseguiu aprovar o convite ao filho de Geraldo Alckmin, Thomaz e de sua sócia, Suellen Jou, filha do acupunturista Jou Eol Jia, para comparecerem à Assembléia a fim de responderem a perguntas sobre a sua empresa de ervas medicinais e os possíveis contratos entre ela e o governo estadual. O requerimento, de autoria do deputado Renato Simões (PT) não foi votado pela comissão porque o deputado Vaz de Lima (PSDB) pediu vistas do pedido para analisar a proposta. A questão volta a pauta da Comissão na semana que vem.O colégio de líderes também esteve reunido ontem e, segundo o corregedor da Assembléia, Romeu Tuma Jr. (PMDB), há uma evolução para que a discussão sobre a CPI da Nossa Caixa vá ao plenário. "Há uma sensibilidade por parte do presidente Rodrigo Garcia para que agora seja pautada em plenário a abertura da CPI para que através da legitimidade dos votos dos deputados aprovemos ou não a proposta", disse Tuma.Ele também afirmou haver uma movimentação de integrantes do governo para barrar qualquer investigação que atinja o ex-governador Geraldo Alckmin. "Essa é uma disputa que tendemos a vencer pelo cansaço, já que a opinião pública não aceita mais ver o parlamento calado e submisso ao poder executivo", disse Tuma.O líder do governo, Edson Aparecido (PSDB), não vê que a atuação da bancada governista seja a de bloquear a investigação contra as denúncias à Nossa Caixa. "O presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, já veio à Assembléia no ano passado e está convocado para comparecer novamente. Não faremos nada para impedir isso", disse Aparecido. "Nós apenas discordamos da forma como a oposição está votando essas convocações", completou.Na reunião da Comissão de Finanças e Orçamento da semana passada, a bancada do PSDB acusa que os integrantes da Comissão quebraram o regimento dando por encerrada a votação antes de lidos os requerimentos. Aparecido questiona também os interesses em ouvir Thomaz e Suelen. "Pessoas que não estão em cargo público não podem constitucionalmente ser convocados pela Assembléia. O que vemos aqui é um jogo político de pressão", disse o deputado afirmando que o PSDB é a favor das investigações e do depoimento do presidente da Nossa Caixa na Assembléia, "desde que sua presença não seja para colaborar com a encenação feita pela Comissão de Finanças", concluiu.DenúnciasA bancada do PT trabalha para comprovar que a nota divulgada pela assessoria do ex-governador Geraldo Alckmin, negando que o governo do tucano tenha pago "um centavo" ao acupunturista Jia Eol Jou para ministrar cursos a professores da rede estadual, omite fatos. Os petistas alegam que possivelmente nenhum pagamento tenha sido feito diretamente a Jia, mas que as diárias pagas aos professores para terem o curso foram pagas ao Spa de Jia, existindo assim um benefício dado a ele por parte do governo. "Numa primeira verificação ao Sistema de informações gerenciais da execução orçamentária (SIGEO) da Secretária da Fazenda verificamos R$308 mil repassados a título de pagamento de diárias pela secretaria de Educação às empresas do acupunturista do ex-governador", disse o deputado Renato Simões, que informou ainda que a bancada está averiguando porque Jia foi privilegiado para ministrar os cursos."Evidentemente o médico não é uma pessoa altruísta que coloca suas empresas e suas propriedades a disposição do Estado sem receber nada em troca, como afirma o ex-governador", afirmou Simões.Os deputados de oposição na Assembléia e grupos da sociedade civil mantêm a estratégia da movimentação social na Casa para forçar, por meio da opinião pública, a abertura da CPI da Nossa Caixa. Nesta terça-feira, o Sindicato dos Bancários organizou um desfile na rampa da Assembléia como uma paródia aos vestidos recebidos pela ex-primeira dama, Lu Alckmin, e colocou faixas de protestos no plenário exigindo a abertura da CPI.

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