Comissão externa do caso Siemens questiona alcance da investigação

'É preciso determinar como foi possível que um cartel atuasse sem que o governo impedisse', disse Cláudio Weber Abramo, da organização Transparência Brasil

Pedro Venceslau, O Estao de S. Paulo

16 de agosto de 2013 | 23h50

A primeira reunião da comissão externa criada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para acompanhar as investigações das denúncias de formação de cartel em licitações de trens e Metrô no Estado, que aconteceu nesta sexta-feira, 16, produziu mais dúvidas do respostas. Os representantes das entidades questionaram o corregedor-geral do Estado, Gustavo Ungaro, sobre quais são os mecanismos permanentes da administração para evitar que se pratique preços abusivos em contratos internacionais.

"O Estado tem a obrigação de entender as condições do mercado. É preciso determinar como foi possível que um cartel atuasse sem que o governo impedisse. Na hora de efetuar uma compra de trens é preciso ter bom senso", afirmou Cláudio Weber Abramo, da organização Transparência Brasil. Ele argumentou durante a reunião que a cartelização é um processo recorrente em todo mundo.

Representante da OAB-SP, o advogado Márcio Camarosano conta que a primeira reunião produziu pouca coisa de concreto. "Foi mais uma apresentação. Receberemos os documentos na próxima reunião, que será daqui há 15 dias".

O Instituto Ethos e a Transparência Brasil foram as duas organizações que mais fizeram questionamentos e apresentaram demandas ao corregedor. Elas pediram que todos os documentos sejam digitalizados e divulgados na internet e que o governo paulista envie sinais claros de que tomará medidas contra todas as empresas envolvidas. "Se isso não for feito, ficará a impressão de que só o denunciante (a Siemens) será punido", diz Abramo.

Outra demanda foi que a investigação fosse ampliada para um período além do que envolveu os cinco contratos contaminados e que ela não ficasse focada apenas neles. Ungaro respondeu que, nesse momento, é preciso concentrar a atenção nos cinco contratos noticiados e que os demais serão analisados depois.

Ethos e Transparência Brasil insistiram para que todos fossem analisados imediatamente. Alguns integrantes do grupo se mostraram incomodados com o nome escolhido pelo governador para batizar a comissão: Movimento TranSParência. "Isso não pode ser chamado de movimento", diz Claudio Abramo.

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