Comissão do STJ vai investigar envolvimento de ministro com narcotráfico

Os dez integrantes mais antigos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram nesta terça-feira nomear uma comissão para investigar as suspeitas de envolvimento do ministro Vicente Leal em um suposto esquema de venda de habeas-corpus a narcotraficantes. A comissão deverá requisitar à Polícia Federal (PF) cópia do inquérito. Até agora, o STJ não teve acesso ao documento.A comissão será integrada pelos ministros Sálvio de Figueiredo Teixeira, Ruy Rosado e Peçanha Martins que, segundo o STJ, foram sorteados.A decisão de nomear uma comissão foi uma saída intermediária. Segundo um ministro do STJ, havia outras duas possibilidades. Na primeira delas, apenas um ministro ficaria responsável por relatar o processo administrativo aberto no domingo, a pedido do próprio Vicente Leal. O problema é que o ministro poderia se sentir pressionado.Na outra possibilidade, o pleno do STJ, formado pelos 33 ministros do tribunal, seria convocado para analisar o caso. Teoricamente, o grupo poderia determinar o afastamento de um integrante.Nesta terça, o ministro Vicente Leal participou normalmente da sessão de julgamento da 6ª Turma, que trata de crimes relacionados ao Direito Penal, mas as especulações sobre seu afastamento continuavam.Alguns juristas chegaram a defender sua aposentadoria. As gravações não mostram envolvimento do ministro, mas ele foi um dos responsáveis pelo julgamento do habeas-corpus em favor do traficante Leonardo Dias Mendonça, o Léo.AprofundamentoO procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, tinha pedido nesta terça ao Supremo Tribunal Federal (STF) aprofundamento nas investigações das denúncias sobre o envolvimento do deputado federal Pinheiro Landim (PMDB-CE) com o suposto esquema. Brindeiro disse que só vai decidir se oferece denúncia contra os acusados depois que a nova apuração ficar pronta.Brindeiro encaminhou ofício ao ministro relator do STF, Sidney Sanches, pedindo que as investigações fossem estendidas. "Acho que são necessários aprofundamentos para apurar os fatos e verificar o que deve ser feito", afirmou Brindeiro. "A finalidade disso é, conforme o caso, oferecer denúncia contra as pessoas envolvidas."Brindeiro ressaltou que, no pedido ao STF, não solicitou quebra dos sigilos dos supostos acusados. "Compete ao relator decidir ou não."Também nesta terça, o Tribunal Regional Federal (TRF) mandou abrir sindicância para apurar o caso do suposto envolvimento do desembargador Eustáquio Silveira. O corregedor da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), avaliou o caso de Landim como "grave". O tráfico e suas conexões

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