DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Comissão do Senado aprova 14 diplomatas em votações 'relâmpago'

Em função da covid-19 e da necessidade de votação presencial e secreta, indicações foram concentradas em duas sessões no mesmo dia

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2020 | 18h57

BRASÍLIA - A Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) aprovou a indicação de 14 diplomatas, entre embaixadores e outras autoridades, para representar o Brasil no exterior. Em função da pandemia de covid-19 e da necessidade de votação presencial e secreta, as indicações foram concentradas em duas sessões no mesmo dia.

Durante o período de sessões remotas, as comissões do Senado ficaram paralisadas e sem a possibilidade de sabatinar indicados do presidente Jair Bolsonaro para embaixadas e agências reguladoras. Por causa da necessidade de análise do Senado para as nomeações, os senadores realizaram duas semanas de votações concentradas, uma em setembro e outra agora em dezembro.

As cabines de votação foram liberadas antes da conclusão de todas as sabatinas. Na prática, os senadores puderem se posicionar antes mesmo de ouvir todos os indicados. O formato causou questionamentos. A senadora Kátia Abreu (PP-TO) relatou que chegou atrasada na reunião e votou nas indicações, mas só depois se deu conta de que as sabatinas não haviam terminado. "Se for para ler currículo, a gente não precisa vir aqui", afirmou.

O presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS), justificou a abertura da votação antes das sabatinas por um pedido feito pela senadora Soraya Thronicke (PSL-MS). "Quem não se sentisse à vontade, deveria esperar a sabatina para poder a partir daí emitir o seu juízo", afirmou.

A reação de Kátia Abreu ocorreu após a senadora não ficar satisfeita com a sabatina do diplomata Fabio Mendes Marzano, indicado para a Delegação Permanente do Brasil em Genebra. Marzano se recusou a comentar os termos do acordo entre Mercosul e União Europeia, travado em função da pressão de outros países sobre a crise ambiental no Brasil.

O diplomata afirmou que a delegação para a qual foi indicado não participa das negociações comerciais, mas trata dos assuntos envolvendo direitos humanos e saúde. A senadora argumentou, por outro lado, que ele deveria se posicionar em função de ocupar atualmente uma secretaria do Itamaraty. "Se nem dessa forma ele pode dizer e comentar alguma coisa, o Itamaraty, decerto, está virando uma casa dos terrores, onde os embaixadores não podem abrir a boca e dar as suas opiniões. Eu sinto muito diante desse quadro, até próximo ao vexame."

As indicações ainda dependem do plenário do Senado, que deve realizar as votações ainda nesta semana.

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