Alex Silva|Estadão
Alex Silva|Estadão

Comissão do impeachment barra novamente inclusão de áudios de Machado no processo

Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator da comissão, indeferiu o pedido nesta segunda-feira, 20; defesa de Dilma alega que a delação é fundamental para provar a tese de desvio de finalidade

Julia Lindner e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2016 | 15h45

BRASÍLIA - O relator da Comissão Especial do Impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), indeferiu novamente o pedido da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff de incluir a delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, nesta segunda-feira, 20, no processo.

A posição de Anastasia foi acompanhada pela maioria do colegiado, que barrou o aditamento dos áudios envolvendo caciques do PMDB. O novo pedido do ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, foi feito após a quebra de sigilo do acordo. A defesa de Dilma alega ser fundamental a inclusão da delação de Machado para provar a tese de desvio de finalidade no processo.

Desde a semana passada, Cardozo já adiantava que recorreria ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, caso o pedido fosse negado pelos senadores. O advogado ainda não se manifestou após a decisão dos parlamentares.

Na primeira solicitação, Lewandowski negou a inclusão das gravações para preservar o sigilo do processo, mas não entrou no mérito da questão processual. Antes da votação do recurso de Cardozo, houve uma discussão entre os parlamentares. Na oposição, petistas tentaram reafirmar a tese da defesa. Lindbergh Farias (RJ) defendeu que áudios fazem parte da principal tese da defesa, alegando que houve um acordão para tirar Dilma do poder.

Segundo ele, o desvio de finalidade no processo começou com o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, mas continuou no Senado com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), "o grande articulador" do impeachment de Dilma. Entre os governistas, havia o entendimento de que o assunto já havia sido definido anteriormente.

José Medeiros (PSD-MT), defendeu que trazer os áudios não traria "nenhuma elucidação" para o processo. "Uns indignados com (o juiz Sérgio) Moro, outros com (o procurador-geral República) Rodrigo Janot, outros com policiais, que não diferem em grau nenhum com o de Machado", alegou. "Tem 'n' gravações públicas, vamos pegar todas feitas no âmbito da Lava Jato? Acho que não será producente", declarou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.