Comissão do governo vai intermediar rebeliões

O Ministério da Justiça vai criar uma comissão para atuar na intermediação de rebeliões e motins nas penitenciárias. O grupo de trabalho, sediado em Brasília, estará disponível para ajudar Estados em que haja crises, desde que o governador solicite o apoio. O núcleo poderá atuar desde a negociação inicial até a coordenação de ocupações dos presídios pela Polícia Militar, se necessário.A comissão terá entre seus quadros psicólogos, especialistas em segurança penitenciária, agentes da Polícia Federal, representantes do Ministério da Justiça. Em caso de crise, essas pessoas irão para os Estados discutir as melhores estratégias de ação. "Três, quatro, cinco ou 10 pessoas - não se sabe qual será a conformação da equipe ainda - vão aos Estados, discutem, observam a planta do presídio, determinam onde há risco de incêndio, por onde entrar. Serão pessoas de fora da tensão, treinadas", afirmou a secretária Nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind. Ela anunciou a comissão na abertura da 5ª Conferência Nacional de Secretários de Justiça e Direitos Humanos, no Rio.Durante o encontro, Elizabeth voltou a defender a terceirização dos presídios. Ela citou os exemplos de Paraná e Ceará, onde empresas controlam inclusive a segurança das penitenciárias. "Os estabelecimentos são limpos, os presos têm todos os direitos garantidos, não há casos de fuga, motim ou utilização de drogas", afirmou. "O gasto do Estado 40% superior é pouco".O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, disse que o Estado já tem unidades em que há terceirização de serviços (Bragança Paulista, Atibaia e Monte Aprazível), mas o governo não cogita de contratar serviço particular de segurança. Organizações não-governamentais assumiram setores como cozinha, assistência médica e odontológica, o que representou redução do custo por preso de R$ 680 para R$ 480 por mês.GeléiaA secretária Elizabeth Sussekind negou que a transferência do assaltante José Márcio Felício, o Geléia ou Geleião, um dos fundadores do Primeiro Comando da Capital, para o presídio de segurança máxima Bangu 1 vá influenciar os demais presos a fazer rebeliões violentas. "Ele ficará isolado", afirmou. De acordo com a secretária, a transferência de presos é rotineira. Segundo Furukawa, Geléia foi transferido para o Paraná em 1997. Em junho, o assaltante liderou uma revolta na Penitenciária Central do Estado do Paraná, e conseguiu voltar para Taubaté. De lá, foi transferido para Santa Catarina. Na ocasião, ele prometeu rebelar-se novamente. "Fizemos uma rebelião no Paraná para voltarmos. Vamos repetir a dose", disse. O governador Espiridião Amin (PSDB) não o quis em suas penitenciárias e Geleião terminou em Bangu 1. O secretário fluminense de Direitos Humanos e Sistema Penitenciário, João Luiz Pinaud, disse que a situação de Geléia no Rio "é provisória".

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